29.8.08

a sustentabilidade do desenvolvimento

ou a valoração da natureza.

"pobreza e problemas ambientais
são filhos da mesma mãe,
e essa mãe é a ignorância"
ali hassan mwinyi
presidente da tanzânia em 1998


é engraçado como as pessoas dão valor as coisas, necessitando, para quase tudo, de parâmetros financeiros. desde danos sociais a ambientais, tudo é mensurado através de valorações monetárias. só para ilustrar: se disserem que na atual situação a amazônia não durará 20 anos, ou que em junho último a floresta perdeu 1,5 campo de futebol/minuto (apesar de em julho ter apresentado queda de mais de 60%) não parece ser tão grave quanto dizer que, em 1990, o brasil já tinha perdido o equivalente a 2,5 bilhões de dólares, que é maior que o pib de nosso país (que ano passado girava em torno dos 2 bilhões de dólares reais.)
então para podermos mudar alguma coisa é necessário entender. e o entendimento leva a questão de que para fazer alguém entender algo pelo qual ela não se esforça, se deve mexer onde mais dói, isto é, no bolso.

daí provavelmente surja a idéia de desenvolvimento sustentável.
este termo é bem empregado em termos de marketing, uma vez que deveria ser algo como "desenvolvimento de dano minimizado" ou coisa do tipo, pois dá a impressão de que é possível desenvolver a economia decentemente ao mesmo tempo que se preserva a natureza.
e disto surgem as idéias verdes.

é de grande importância que as pessoas entendam como a natureza funciona, para então preservá-la, ou se for alguém bem ligado nas tendências econômicas, ganhar umas verdinhas (ó que trocadalho).

saber que algo pode fazer mal a saúde ou bem-estar, no entanto, parece surtir algum efeito positivo nas atitudes das pessoas também - provavelmente por questões financeiras indiretas.
a busca por alimentos orgânicos, ovo e galinha caipira, reciclar o lixo, comprar produtos a granel, levar uma sacola de pano/lona ao fazer compras no supermercado, andar de bicicleta e usar transporte coletivo ganham cada vez mais adeptos, que muitas vezes nem sequer sabem o que estão fazendo, muito menos porque fazem isto. sabem apenas que dizem que estas atitudes diminuem o aquecimento global e possivelmente não contribui pro crescimento de grandes empresas que exploram irresponsavelmente os recursos naturais.
geralmente são pessoas com certo nível de instrução e que têm condições de pagar por tais "atitudes" (os alimentos, no caso, não o transporte coletivo). afinal é moda, e é o que dá status além de "pegar bem" socialmente.
e falando em "socialmente", a tal sustentabilidade deveria ser além de ambiental, social.

nesse cenário se insere a mentalidade de que o desenvolvimento deve sustentar a economia, o social e o ambiental. é, na verdade, ver a natureza como prestadora de serviços, é o que chamam de ecosystem services, numa tentativa de entender como a natureza funciona, quantificando e valorando a prestação de tais serviços conectando-os com bem-estar humano e os sistemas econômicos.

podemos citar nomes como wwf, greenpeace, wcs, conservation international entre outras ongs que já sacaram isso faz tempo, motivo pelo qual hoje são gigantes nesse mercado. como diria o fundador do sea shepherd e ex-greenpeace, "são como as garotas avon, que vão de porta em porta oferecendo seus produtos".
não que isso seja bom ou ruim, até porque não acredito nesse tipo de maniqueísmo. acho que como tudo tem princípios bacanas e outros nem tanto. eles sobrevivem com o dinheiro de pessoas inocentes? com certeza. muita gente nem sabe o que essas ongs fazem e mesmo assim contribuem para sustentá-las.
mas essas ongs também fazem coisas bacanas (a popularização da importância da preservação ambiental se dá muito devido a estas empresas - afinal esse reconhecimento se faz necessário pela população e pelos governos) e ganhar dinheiro é uma necessidade (e até onde sei, lícito), pelo menos na sociedade em que vivemos.

mas nem todos os planos dão certo, alguns planos conseguem total ou parcialmente atingir seus objetivos e alguns falham totalmente ao tentar fazer o desenvolvimento econômico e ambiental, vinculando-os ao bem-estar humano.

uma nova perspectiva de associação entre ciência e conservacionismo se mostra possível, com a obtenção de dados cada vez mais relevantes, e por que não, "por um mundo melhor"? afinal é bom quando a ciência ultrapassa as fronteiras da academicidade e mostra funcionalidade.

ps: uma análise mais completa (e muito mais longa) pode ser lida no linque abaixo

fontes consultadas:
- an ecosystem services framework to support both practical conservation and economic development, de heather tallis, peter kareiva, michelle marvier e amy chang, pnas (2008)

Um comentário:

Roberto disse...

Cara, muitas empresas que se dizem verdes, para conseguir equilibrar esse investimento no setor ambiental, acabam terceirizando varios serviços, demitindo seus empregados normais e contratando cooperativas pra fazer o mesmo. Não que eu seja contra as cooperativas, mas eu sou mais a favor de que se tenha emprego decente para todos.
Só pra constar, a cooperativa sai mais barato porque na hora do pagamento, os empresario não precisam pagar os encargos sociais e nem alguns trabalhistas.