9.8.13

O que está por trás da aprovação dos transgênicos

[A liberação foi realizada com base em documentos da Monsanto, sem terem sido feitos testes; consequências para o ser humano e meio ambiente não são reveladas
 
Os transgênicos foram aprovados pela primeira vez nos EUA em maio de 92 pela FDA (Food and Drug Administration). Na aprovação constou que a “agência desconhece qualquer informação que demonstre que alimentos derivados desses novos métodos (transgênicos) sejam diferentes em qualquer sentindo de outros alimentos”. Na época da aprovação o presidente da FDA era Michael Taylor, ex-advogado da Monsanto que, após a sua saída da FDA em 1998, tornou-se vice presidente da Monsanto.
Logo depois, 44 mil documentos secretos da FDA foram liberados, decorrentes de uma ação judicial, e revelaram que cientistas da FDA tinham alertado sobre os efeitos dos transgênicos na saúde humana, que, entre outras consequências, podem provocar o aumento das alergias a alimentos, liberação de toxinas, novas doenças e problemas nutricionais. Além do alerta, os cientistas pediram à FDA que, antes da sua liberação, fossem realizados testes aprofundados e com prazos mais longos. Mas a FDA ignorou esses alertas.
A FDA liberou a comercialização dos transgênicos sob a alegação de que bastava que as próprias empresas que os produziam, que na época era a multinacional imperialista Monsanto, afirmassem que os transgênicos eram seguros para o ser humano e o meio ambiente. E essas mesmas praticas regulatórias aprovadas em 1992 continuam vigente até os dias de hoje.
No Brasil, a aprovação dos transgênicos foi acelerada com o apoio do governo do PT
A lei 11.105/205 que criou a CTNBio retirou dos órgãos reguladores e fiscalizadores os poderes para analisar e decidir sobre os pedidos dos transgênicos. Os seus membros não estão vinculados diretamente ao governo com função especifica, razão pela qual podem não responder a longo prazo pelos problemas que surgirem a partir da  suas decisões
A soja transgênica foi autorizada no brasil em 1998 e embargada no mesmo ano devido a ação do IDEC.
Em 2003, o governo Lula, através da MP 113 (posteriormente Lei 10.668/03), liberou a soja transgênica e a ANVISA aumentou em 50 vezes o LMR (Limite Máximo de Resíduos) permitido do glifosato na soja (de 0.2ppm para 10.ppm).
Em 22 de março de 2007, foi publicada a MP 327 que autorizava a redução de quórum para liberações comerciais dos transgênicos, de acordo com o pedido que a senadora Katia Abreu tinha encaminhado à Casa Civil.
A lei de rotulagem 4.680/03 de abril de 2004 estabelece que todos os produtos com mais de 1% de transgênicos devem ser rotulados, mas isso raramente é cumprido.
Em 2008, foram autorizadas seis variedades de milho transgênico: duas da Monsanto, duas da Syngenta, uma da Dow e uma da Dupont. 
Ate inicio de 2009, a CTNBio liberou quatro variedades de algodão, uma de soja e  seis de milho.
Os transgênicos produzem graves danos ao ser humano e o meio ambiente
A primeira vez que se fez um estudo mais aprofundado dos transgênicos nos EUA foi nos tomates, usando ratos como cobaias. Os ratos se recusaram a comer espontaneamente; o mesmo aconteceu com outros animais. Depois de 28 dias, sete de 20 ratos desenvolveram lesões no estômago e sete de 40 morreram depois de duas semanas.
Em 1999, o governo da Grã- Bretanha tentou fazer um estudo para provar que os transgênicos eram seguros. Foram investidos três milhões de dólares num estudo realizado pelo Dr. Arpad Pusztai, que criou uma equipe a partir de três instituições. Os testes foram feitos em batatas com ratos, divididas em 3 grupos: um transgênico, um natural e outro com pesticida. Somente os ratos que comeram batatas com transgênicos morreram depois de 10 a 110 dias. Após terem sido realizadas as biopsias, foram descobertas células cancerígenas no aparelho digestivo, cérebro, fígado e testículos menores; dano no sistema imunológico e atrofia no fígado. Após apresentar esses resultados, o Dr. Arpad foi demitido depois de 35 anos no cargo e o governo orquestrou uma forte campanha que questionava a sua reputação.
No meio ambiente, as sementes transgênicas, por conterem genes vivos, podem crescer, multiplicar-se, sofrer modificações e interagir com toda a biodiversidade, transferindo-se para outras espécies. A falta de previsibilidade, que é uma das grandes complexidade da transgenia, pode causar consequências irreversíveis, pois uma vez um  organismo vivo liberado na natureza, não será possível de ser recolhido. Um exemplo disso é o caso que aconteceu do cruzamento entre duas plantas transgênicas no Canadá. A canola (colza) transgênica, resistente ao agrotóxico glifosato, cruzou com a canola transgênica Liberty Link, resistente ao agrotóxico gluofusinato, que, em seguida, cruzou com a canola não transgênica Clearfield, resistente ao herbicida do grupo imidazolinona. Essa sequência de cruzamentos criou uma super erva daninha, jamais imaginada pelos cientistas, que somente pode ser combatida por um agrotóxico extremamente tóxico chamado 2,4 D.
Os transgênicos causam enormes efeitos colaterais e resultados imprevisíveis. São liberados sem testes
A origem da transgenia, ou técnica do DNA recombinante ou engenharia genética, aconteceu em 1972, a partir da observação da bactéria Agrobacterium Tumefasciens, que está presente no solo, e causa uma doença em plantas chamada galha de coroa, ao inserir parte de seus genes nas células da planta, modificando o genoma dessas células, e passando a produzir um tumor que alimenta a bactéria. O primeiro uso comercial de um organismo transgênico foi para a produção de um medicamento para diabetes, quando uma bactéria recebeu genes do ser humano para produzir a insulina. Neste caso, a bactéria permaneceu confinada em um ambiente controlado, e apenas o produto químico produzido, depois de purificado e analisado, foi utilizado na indústria farmacêutica. A produção do medicamento é feita sobre controle, não há contato com o meio ambiente ou com os pacientes.
Já o processo de criação dos transgênicos das multinacionais imperialistas começa por um gene obtido a partir de uma proteína inseticida chamada Toxina-BT (Bacillus Thuringiensis), que é usada em pulverizações e provoca efeitos alérgicos e imunológicos em seres humanos e animais. O BT é modificado para ser introduzido em plantas. Esses genes são introduzidos em um “promotor viral” para produzir milhares de cópias em laboratório, com a nova caraterística de que as células deixarão de ler as informações relacionadas a onde o gene finaliza. Essa modificação desconsidera que os genes possuem mecanismos de auto regulação, e que essa mudança traz consequências genéticas imprevisíveis. Esses novos genes são introduzidos em milhões de células com o objetivo de que alguns deles entrem no DNA da célula; mas isso é feito sem o mínimo controle do processo, a ponto de não saber quantos genes entram no DNA, quão profundamente, nem quais células têm o gene funcionando. Em seguida, é adicionado um segundo gene, resistente a antibióticos, que produz uma proteína que fará com que a célula adquira essa resistência, quando forem injetados antibióticos, com o objetivo de deixar como sobreviventes somente aquelas poucas que tenham recebido os dois genes.  Essas células serão clonadas em laboratório e introduzidas nas plantas. Com isso, elas produzirão a toxina BT e introduzirão mudanças inesperadas no DNA: 2% a 4% do DNA torna-se diferente com o resultado da clonagem; a maior parte dos genes são mutantes (milhares de mutantes dentro do DNA); alguns genes também podem ser apagados ou desativados; 5% dos genes naturais da planta mudam os níveis das expressões da proteína que produzem. O gene inserido pode se tornar truncado, fragmentado, misturado com outros genes, invertido ou multiplicado, e a proteína transgênica que ele produz pode ter características não intencionais com perigosos efeitos colaterais. Quando um transgênico começa a funcionar numa nova célula, por exemplo, ele pode produzir proteínas que são diferentes daquela intencionada. A sequencia de aminoácidos pode ser errada, o formato da proteína pode ser diferente e as ligações moleculares podem tornar a proteína prejudicial. Além dessas mudanças no DNA, estas modificações trazem efeitos colaterais enormes, tais como mudanças no RNA, criado pelo DNA, nas proteínas, que interagem para criar todos estes compostos naturais, responsáveis pelas qualidades específicas das plantas.
E o grande problema é que, como o foco dos transgênicos é a produção de altas taxas de lucro, se faz tudo isso sem praticamente nenhum tipo de teste: o foco dos testes é um pequeno e conhecido número de nutrientes, que às vezes não passa de um pequeno número de toxinas.
Nos seres humanos, o consumo de alimentos transgênicos introduz uma espécie de bomba geradora de veneno que continua funcionando após serem ingeridos.
A produção das sementes transgênicas pelas multinacionais imperialistas acontece através da introdução de modificações muito complexas nas plantas sem praticamente a realização de testes, pois o objetivo é monopolizar a cadeia produtiva agrícola (agrotóxicos, sementes e fertilizantes) e mediante a lei das patentes obter altas taxas de lucro.]

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