17.12.15

sobre dietas e seus impactos

A despeito de toda confusão iniciada pelo artigo do ScienceAlert, que enviesa o estudo pra 'combater' o vegetarianismo - e replicado acriticamente internet afora - alguns fatos básicos da agropecuária devem ser esclarecidos.
Em termos de produção, independentemente do que se produza, o problema na geração de impactos depende muito mais da técnica utilizada do que do produto obtido.
Tanto a agricultura como a pecuária podem ser destrutivas ou regenerativas. ambas podem depredar qualidade de água, solo, ar, sociobiodiversidade, etc ou podem aumentar a qualidade destes.
É claro que se v for comparar em quantidade de calorias (que é o parâmetro utilizado) de um bacon e equivaler a mesma quantidade de calorias em alfaces, precisaríamos de uma quantidade sobrehumana do vegetal.
Além disso os modelos produtivos predominantes no Brasil ainda são altamente destrutivos.
A produção alimentar é 70% proveniente da agricultura familiar mas na pecuária a predominância, em nível comercial, acaba sendo dos grandes latifúndios mesmo.
O cerne do problema está na escala de produção, na concentração de terras e na falta de diversidade do sistema, que refletem em diversas externalidades não consideradas nessa visão reducionista e simplista.
Uma abordagem mais completa é necessária para avaliar sistemas complexos como os agrícolas.
E bacons provenientes de produções agroecológicas podem muito bem gerar impactos mais positivos ambiental, social e economicamente do que vegetais cultivados em monoculturas químico-dependentes em solos exauridos e mortos.
Comer é um ato agrícola, ecológico e político.
Fomente cadeias produtivas mais coerentes com suas escolhas de vida.
Conheça minimamente de onde vem e como e por quem é produzido o que chega no seu prato/armário e onde mais tiver produtos agrícolas.
(Só espero que seu desejo não seja concentrar ainda mais terras e poderes nas mãos de latifundiários :P)



O Departamento de Meio Ambiente da Sociedade Vegetariana Brasileira analisou o estudo recentemente publicado na revista ...
Posted by Sociedade Vegetariana Brasileira - SVB on Quarta, 16 de dezembro de 2015

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