4.4.16

Cosmovisão e regulação de recursos naturais

A cosmovisão é o fator de regulação do uso de recursos. e nossa cosmovisão míope enxerga recursos infinitos e melhorados por tecnologias.

Como diz David Attenborough: "Qualquer um que acredite no crescimento indefinido num planeta fisicamente finito ou é louco ou um economista"

Para os povos indígenas, a terra e, de modo geral, a natureza têm uma qualidade SAGRADA que é quase inexistente no pensamento ocidental. A terra é reverenciada e respeitada, e sua inalienabilidade se reflete em praticamente todas as cosmovisões indígenas. Os povos indígenas não veem a terra meramente como um recurso econômico. De acordo com suas cosmovisões, a natureza é a principal fonte de vida que alimenta, sustenta e ensina. A natureza é, portanto, não só uma fonte produtiva, mas o próprio centro do universo, o núcleo da cultura e a origem da identidade étnica.
No coração desse vínculo tão forte está a percepção de que todas as coisas vivas e não vivas e os mundos social e natural estão intrinsecamente ligados (princípio da reciprocidade). De particular interesse é a pesquisa feita por diversos autores sobre o papel exercido pela cosmologia de vários grupos indígenas como um mecanismo regulador do uso e do manejo dos recursos naturais.
Na cosmovisão indígena, cada ato de apropriação da natureza tem que ser negociado com todas as coisas existentes (vivas e não vivas) por meio de diferentes mecanismos, tais como rituais agrícolas e diversos atos xamânicos (trocas simbólicas). (...)
Paralelamente, as sociedades indígenas detêm um repertório de conhecimento ecológico que geralmente é local, coletivo, diacrônico e holístico. De fato como elas possuem uma longa história de utilização dos recursos, criaram sistemas cognitivos sobre os próprios recursos naturais de seu entorno, que são transmitidos de geração para geração por isso que o corpus é geralmente um conhecimento não escrito. A memória é, portanto, o recurso intelectual mais importante entre as culturas indígenas ou tradicionais.
(...)
O conhecimento indígena não se restringe aos aspectos estruturais da natureza ou a objetos ou componentes e sua classificação (etnotaxonomias), mas abrange também dimensões dinâmicas (de padrões e processos), relacionais (ligadas às relações entre os elementos ou eventos naturais) e utilitárias dos recursos naturais.
Trecho de 'A memória biocultura' de Toledo e Barrera-Bassols

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