3.8.16

De Olho nos Ruralistas

O agronegócio no Brasil representa um restrito grupo econômico que controla praticamente todos os meios de comunicação de ampla difusão do Brasil além de compor boa parte da classe política no poder legislativo federal. A informação veiculada por esses grupos apresentam fatos de forma distorcida, para defender interesses próprios e lesando interesses coletivos, atuando ativamente sobre o retrocesso em direitos alcançados a duras penas pela sociedade.

Neste contexto um observatório independente sobre o agronegócio se faz mais do que necessário, trazendo fatos de forma isenta e denunciando as investidas desse setor contra os bens e interesses comuns da população, que as vezes acontece de forma escancarada como nos ataques de milícias de latifundiários contra povos indígenas mas muitas vezes ocorre de forma velada a exemplo das articulações do poder legislativo com Projetos de Lei, Emendas, e outras manobras a fim de desregulamentar todo o cenário ambiental e agrário, sem falar no desmonte do Estado e de diversas políticas que estamos testemunhando nos últimos meses.

A grande imprensa não dá conta de informar suficientemente sobre alimentação pois há um claro conflito de interesses.

Falta muita informação sobre:
- agrotóxicos, seus danos e os interesses econômicos e políticos por trás.
- riscos e ameaças dos organismos geneticamente modificados (principalmente transgênicos),
- condições injustas de trabalho na cadeia produtiva, de distribuição e de comercialização.
- a importância da agricultura familiar para o abastecimento da população brasileira,
- a necessidade de promover a soberania alimentar,
- a urgência de se valorizar o bem-estar animal,
- a situação de povos originários e tradicionais,
- a perda cultural sobre biodiversidade alimentar,
- a agroecologia como alternativa real ao sistema estabelecido,
- como consumidores podm criar e alterar demandas de mercado.

E quando estes meios de comunicação mostram algo, expõem apenas um fragmento descontextualizado a fim de maquiar informações e justificar suas ações.

É impossível dissociar o alimento do contexto social, econômico, ambiental ou político.

Todo brasileiro tem, segundo a constituição federal, direito à sadia qualidade de vida, donde se deriva o direito à alimentação. É necessário fomentar amplamente a discussão e acesso a alimentação adequada para todos e a informação é uma das principais ferramentas para garantirmos tal acesso.
No entanto temos uma agricultura que correspondem a interesses econômico de poucos. Exemplo disso são algumas estatísticas infelizes sobre o Brasil como o maior consumidor de agrotóxicos, o segundo maior produtor de transgênicos, o país em que mais matam defensores do meio ambiente (quase sempre relacionado a avanço de fronteiras agropecuárias).

O modelo produtivo imposto foi herdado da segunda guerra mundial, que se pauta no uso massivo de agrotóxicos, fertilizantes e mecanização intensiva do campo (a partir da década de 1950 no mundo e 1960 e 1970 no Brasil), desde então a produção de poucos tipos de alimentos aumentou enormemente e extinguiu 75% da biodiversidade alimentar, gerando muitas outras externalidades negativas, como a intensificação dos conflitos no campo, que geralmente não são lembrados e muito menos computados.

Apoio o De Olho Nos Ruralistas porque precisamos de informações consistentes e de qualidade para entender quem são e quais são os interesses reais dos ruralistas e por outro lado para que todos possam, a partir de suas escolhas de consumo, fomentar um outro modelo de produção.
Comer é um ato político por excelência.

Colabore e divulgue: http://bit.ly/1sCYNBQ

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