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10 de julho de 2018

Agroecologia na FAO, Catedral da Revolução Verde


- "agroecology is not a set of tools or practices than can be used to make large-scale and capital-intensive agriculture systems more sustainable."

- "importance of scaling-up open-source information systems for small-scale farmers, strengthening the participation of often marginalised communities (such as pastoralists) in policy-making forums, and demanding equal representation of women in leadership positions of rural institutions."

- "highlighted the fact that local knowledge systems are essential for maintaining agroecological production, and therefore participatory research methodologies are needed to fully understand the range of benefits of these production systems and then effectively translate those findings into policy spheres."

"it is clear that the further institutionalisation of agroecology in FAO’s “Cathedral of the Green Revolution,” as named by the FAO Director General during the First International Agroecology Symposium in 2014, casts an uncharted, but certainly contested, policy future for agroecology. It’s up to agroecologically-orientated farmer organisations and social movements to keep pressure on policy makers to embed this promising approach."

para ler o texto de jordan treakle na íntegra, acesse http://www.arc2020.eu/institutionalising-agroecology-in-the-cathedral-of-the-green-revolution/.

para ler mais sobre o segundo simpósio de agroecologia da FAO, acesse http://www.fao.org/about/meetings/second-international-agroecology-symposium/es/

Documentos chave:
Iniciativa para ampliar la escala de la agroecología - Una propuesta con motivo del segundo Simposio
Second International Symposium on Agroecology - Chair's Summary

12 de novembro de 2015

o custo gerado pelo desperdício alimentar

1,7 trilhão de dólares/ano de desperdício só relacionado com a comida.
e muita gente achando que o sistema econômico é eficiente.
se não considerar as externalidades fica fácil.

 

Dados divulgados pelo site da FAO/ONUsobre quanto seria a conta se tivéssemos que pagar pra natureza o desperdídio alimentar.

E também divulgaram esse vídeo (em inglês):

23 de julho de 2013

Projeto tenta salvar da extinção alimentos que saíram de moda


post originalmente publicado em uol agronegócio, de Janice Kiss

[Há sete anos, Nuno Madeira, pesquisador da Embrapa Hortaliças, em Brasília, se dedica a recuperar alimentos que se perderam no tempo. Cará-moela, peixinho (ou lambari da horta), capuchinha, taioba, vinagreira, mangarito e ora-pro-nóbis estão entre as 40 espécies que compõem um projeto de preservação coordenado por ele.
Madeira comenta que a empresa, na época, decidiu fortalecer uma espécie de acervo que garante a manutenção de plantas importantes para o país.  "Nesse momento descobrimos que muitas hortaliças e raízes do passado não estavam contempladas", informa.
Segundo o pesquisador, esses alimentos são importantes para pequenos produtores e comunidades de diferentes regiões do país mesmo que não sejam mais encontrados como antigamente.
Conforme a Agência para Agricultura e Alimentação da ONU (FAO)  houve uma redução (de 10 mil para 170) do número de plantas comestíveis e usadas pelo homem nos últimos cem anos. Elas foram trocadas por outras de alta produtividade.
O próprio pesquisador começou a colaborar com a recomposição do acervo da Embrapa a partir de algumas plantas do quintal da própria casa. Madeira sempre teve interesse por essas "hortas antigas" desde quando era estudante de agronomia.
"São plantas rústicas que produzem bem em qualquer lugar e de forma quase espontânea", informa.
As mudas provenientes dos canteiros da Embrapa vão abastecer outros projetos semelhantes no país. Um deles pertence ao Polo Regional da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. Uma área de 2.000 metros quadrados abriga 20 tipos de hortaliça classificadas como "não convencionais".
"Elas correm o risco de desaparecer por terem sido substituídas por outras de maior escala e que se tornaram comuns em nossas mesas", afirma a pesquisadora Cristina Maria de Castro.
A engenheira agrônoma afirma que esses alimentos jamais estarão em quantidade nos supermercados. "Nem por isso precisamos abrir mão deles", diz. O projeto da Apta atende os pequenos produtores na região de Pindamonhangaba.

A nutricionista que preserva alimentos que se perderam no tempo

A nutricionista Neide Rigo tem o hábito de andar por São Paulo sempre de olho em ervas e hortaliças que podem ser encontradas por cantos de praças e parques da capital. Por meio da coleta delas, Neide formou canteiros de hortaliças "não convencionais" em sua casa.
"Uns crescem plantados, outros largados e alguns de teimosos", diz.  É num pequeno espaço que Rigo colhe ora-pro-nóbis, mangarito e cará-do-ar. Tem também capiçoba (folha similar ao espinafre), jambu (a erva amazonense que amortece de leve os lábios), e sementes de vários lugares.
"Tenho um interesse histórico por alimentos, e por isso eles nunca perdem a importância para mim", diz.
Por resgatar alimentos à beira da extinção, Neide Rigo já contribuiu com o restabelecimento de alguns deles pelo país. Ela mandou para a região de Garanhuns, em Pernambuco, um tipo de melão (o cruá) que estava desaparecido por lá. Uma outra vez, recebeu de um produtor um punhado de farinha de araruta, que anda sumida do mercado.
Segundo ela, o que mais se encontra é o amido (fécula) de mandioca sendo vendido no lugar da outra. "Quem conhece sabe que os biscoitos de araruta são mais leves e branquinhos", afirma.
A dedicação aos alimentos quase desaparecidos levou a nutricionista a participar da Arca do Gosto, braço do movimento internacional Slow Food, que prega a recuperação da tradição de alguns produtos em seus respectivos países.]

Monsanto consegue a patente do brócolis

originalmente publicado em instituto humanitas unisinos
[A reportagem é publicada pelo sítio La Radio del Sur, 16-07-2013.
A tradução é do Cepat.


Em junho, o Escritório Europeu de Patentes, em Munique, concedeu uma patente sobre o cultivo convencional de brócolis. Seminis, uma empresa que é de propriedade da Monsanto, recebeu a patente (EP 1597965) do brócolis derivado do melhoramento convencional. As plantas, que se supõe que tenham as colheitas melhoradas, derivam do cruzamento e seleção tradicional. A patente abrange as plantas, as sementes e a “cabeça de brócolis cortada”.
Fonte: http://laradiodelsur.com/?p=191036

Além disso, abrange uma “pluralidade de plantas de brócolis... cultivadas em um campo de brócolis. “O Parlamento Europeu e o Parlamento alemão foram muito críticos com este tipo de patente. Recentemente, dois milhões de assinaturas foram coletadas numa petição em favor da proibição das patentes sobre o cultivo convencional. A organização Não às patentes sobre sementes! está iniciando uma oposição contra esta última patente da Monsanto. “Fazemos um chamado para demonstrar oposição contra a patente sobre o brócolis. O Escritório Europeu de Patentes e a Monsanto estão em um caminho de confronto com a sociedade europeia”, disse Christoph Then da organização Não às Patentes sobre Sementes!. “Temos a intenção de transmitir um claro sinal de que não vamos deixar que nossa comida seja monopolizada”.
Todas as organizações que também estão fazendo exigências aos políticos europeus, motivam para que estes assumam o controle do Escritório Europeu de Patentes, com a finalidade de mudar a interpretação da lei atual de patentes por meio do Conselho de Administração do Escritório Europeu de Patentes, que é o conjunto dos Estados membros.
Como se desprende de um documento de trabalho publicado pela Organização Mundial de Alimentos da FAO, a indústria está planejando explorar as patentes sobre o cultivo convencional. Segundo os números, as vendas globais de plantas patenteadas, derivadas da reprodução convencional, aumentarão de cerca de 700 milhões de dólares para 3 bilhões de dólares estadunidenses, em 2020. Estes números se baseiam também nas patentes concedidas pelo Escritório Europeu de Patentes.
As organizações que integram a coalizão Não às Patentes sobre Sementes! estão muito preocupadas com o fato de que este tipo de patente fomentará ainda mais a concentração do mercado, tornando os agricultores e outros atores da cadeia de fornecimento de alimentos ainda mais dependentes de algumas poucas empresas internacionais e, finalmente, reduzindo as opções dos consumidores. A coalizão Não às Patentes sobre Sementes! é organizada por Bionext (Países Baixos), Declaração de Berna (Suíça), GeneWatch (Reino Unido), Greenpeace (Alemanha), Misereor (Alemanha), o Fundo de Desenvolvimento (Noruega), Não às Patentes sobre a vida (Alemanha), Rete Semi Rurali (Itália), Rede de Sementes Camponesas (França) e Swissaid (Suíça). Todas elas estão pedindo uma revisão da Lei de Patentes Europeia. A coalizão conta com o apoio de várias centenas de outras organizações.]

4 de maio de 2010

estímulos agrícolas para o (re)desenvolvimento haitiano

A vida e seus fatores contraintuitivos.
A graça de sistemas vivos com certeza está em respostas que nem sempre são óbvias.
A intuição diz uma coisa mas a realidade é totalmente outra, às vezes até oposta ao que se esperava.

Terremoto no Haiti, foto do site haiti earthquake, da FAO 

Quando um país como o Haiti passa por um desastroso terremoto como aquele de 12 de janeiro deste ano, uma das ajudas humanitárias mais óbvias é o envio de diversos tipos de suprimentos, inclusive alimentar.
Mas sabem que efeitos catastróficos podem se extender indiretamente à economia local devido à doação de alimentos a áreas atingidas por catástrofes?
A lógica é, grosso modo, assim: determinadas pessoas arrecadam alimento e enviam ao país afetado, é óbvio que no primeiro momento isso pode ser positivo, matando a fome de diversas pessoas em condições precárias. O que geralmente a gente não pensa é o efeito disso a médio prazo. Quando consideramos esta escala de tempo, vemos o efeito disso na economia local. O agricultor, quase sempre o pequeno produtor que fornecia alimento para a área afetada sofre com estas ajudas, já que se a demanda por alimento for satisfeita, o agricultor perde o mercado.
Isso quer dizer que o cara perde o pouco que tinha. Isso não é uma mera especulação que tô fazendo, é uma coisa que já aconteceu, sei que na Itália há muitos anos atrás (numa situação parecida), e os pequenos produtores se empobreceram mais piorando ainda mais o cenário local.

Pois bem, uma contribuição construtiva que um país pode fazer a outro nessa condição é estimular sua agricultura, desta forma melhora as condições dos agricultores locais e aos poucos a economia vai se recuperando.

Encontrei uma notícia interessante nesse aspecto, no site da FAO, publicado na semana passada.
A FAO vai usar U$2,3 milhões que o Brasil doou para a compra e distribuição de sementes, fertilizantes, ferramentas e outros insumos agrícolas para famílias rurais haitianas. O Brasil enviou além da grana, 36 toneladas de sementes de milho, 36 toneladas de sementes de feijão e 172 quilos de sementes de hortaliças, afetando positivamente mais de 68 mil agricultores familiares.
O Brasil é o pais que mais tem apoiado – através da FAO – os esforços pós-terremoto, incentivando a reabilitação agrícola de nosso quase-vizinho da América Central.

Mais uma vez o Brasil é impecável quando o tema é política internacional... Às vezes dá até orgulho de ser brasileiro... pena que isso geralmente dura pouco.