[Autor: Regina Rocha |
Postado em: 15 de agosto de 2013
| Fonte: Mobilize Brasil
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Pracinha na rua Maria Antonia, centro da cidade
créditos: Regina Rocha
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Desde a manhã de ontem (15), e por alguns dias mais, os paulistanos
poderão vivenciar um novo tipo de espaço público na cidade: os
"parklets", pequenas áreas de convivência, ou minipraças, criadas sobre
vagas de carros na rua. As chamadas "vagas vivas" ou "zonas verdes" - em
contraposição à zona azul para estacionamento de carros - são faixas
do asfalto isoladas e ocupadas com jardins, bancos, paraciclos, palcos
artísticos e outros usos criativos.
Num primeiro momento, a intervenção está em duas ruas de São Paulo:
Amauri, no Itaim Bibi, e Maria Antônia, em Higienópolis. Em outubro,
deve ser ampliada a 21 outros pontos da cidade. A experiência tem
caráter temporário, pelo menos por enquanto, porque a intenção dos
organizadores é tornar as "zonas verdes" espaços definitivos, como um
novo componente da paisagem urbana. O projeto é uma parceria do
Instituto Mobilidade Verde, Design Ok, Gentilezas Urbanas (Secovi SP). O
mobiliário urbano foi concebido pelos arquitetos dos escritórios Zoom e
H2C.
Instalação na rua Amauri, zona sul da cidade
O Mobilize esteve no "parklet" montado na rua Maria Antônia, e
pode verificar que ali o movimento era constante. As pessoas olhavam
curiosas, paravam para perguntar, opinar, descansar nos bancos e admirar
o jardim. Enquanto isso, à frente e atrás da pequena praça instalada, o
de sempre: uma fila de carros estacionados infindável.
Segundo Lincoln Paiva, um dos organizadores e diretor do Instituto
Mobilidade Verde, "há 32 mil vagas para carros nas ruas da cidade de São
Paulo. Então, veja que estas duas vagas a menos, tiradas do automóvel e
oferecidas aos pedestres, não representam nada, não são transtorno
algum", observou. E completou: "Não é que estamos tirando o lugar de
dois carros; o que estamos propondo são outros usos, mais justos e
interessantes, para este pedaço urbano que deveria estar sendo melhor
utilizado".
No local, os organizadores estão passando um questionário para reunir
as opiniões e críticas dos que passam pela zona verde. Esse material,
também disponível aos interessados no site do projeto (
www.zonaverde.eco.br)
vai ajudar a compor um relatório que será enviado à Prefeitura. O
estudante do segundo ano de arquitetura do Mackenzie, Kassio Massaiti
Maeda, preencheu o questionário e diz que ficou entusiasmado com a
ideia: "Este espaço amigável poderá de fato servir para incentivar as
pessoas a deixarem o carro de lado, acredito. Para mim, a proposta leva a
repensar valores, discutir qual o papel do espaço público. É, ao mesmo
tempo, oposição ao modelo rodoviarista, e uma proposta de cidade para
pessoas. Só acho que deveria ter mais vagas para bicicletas, ou pelo
menos ocupar o dobro de vagas de carros", declarou Kassio.
Para Lincoln Paiva, a proposta está sendo bem recebida, inclusive
pelas autoridades: o próprio prefeito Fernando Haddad, que esteve hoje
no lançamento do parklet da rua Maria Antonia, acata a proposta. "O que
queremos é abrir o debate, levar o tema à Câmara, propor projetos de
lei, tentar fazer com que a zona verde se torne realidade e uma
alternativa ao uso do carro", explica Paiva.
Ele lembra que as "vagas vivas" surgiram, primeiro em São Francisco
(EUA), em 2005, e difundiram-se por outras cidades, como Chicago, onde é
adotada de forma permanente. "Claro que estamos discutindo o espaço do
automóvel, e todos queremos diminuir o número de carros particulares,
melhorar o transporte público... Nesse contexto, o que a zona verde
propicia é a materialização disso tudo, é acima de tudo um espaço
simbólico", avalia Lincoln Paiva.]
via
mobilize