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17 de fevereiro de 2009

anunciada a criação de um carregador universal pra celulares


na edição 2009 da mobile world congress, a gsm association, anunciou uma iniciativa que aliviará um pouco a produção de lixo eletrônico proveniente desses carregadores.
atualmente cada modelo/marca tem um tipo específico de entrada, sendo que a cada troca de celular surge um novo carregador.
a iniciativa é apoiada por fabricantes e operadoras, e é melhor para o consumidor e o meio ambiente, pois reduz a necessidade de descarte do carregador a cada compra de celular.

a tal entrada universal é um micro usb, mas ainda é cedo para comemorar, já que a implantação estimada é de que apenas em 2012 as entradas universais estejam em vigor, até lá, na fase de transição estarão disponíveis tanto os carregadores específicos da marca como esses universais.

via idg now!

15 de fevereiro de 2009

contextualizando o verde

o homem tem tentado minimizar o impacto que gera sobre o meio ambiente, e assim tem gerado diversas idéias frutíferas em relação ocupações mais inteligentes, que gastem menos recursos, que aumente a qualidade de vida, etc. e que em última instância significa menor gasto econômico - a única forma de realmente convencer as pessoas.

neste contexto uma idéia pelo qual fiquei muito intrigado é o high line public park project, que já está em andamento. a idéia é colonizar, com plantas, uma rodovia elevada abandonada em nova iorque - desembocando em plena manhattan -, numa extensão de 1,5 milhas, que significa pouco mais de 2,4 km.


a idéia é aproveitar os diversos microclimas urbanos que há ao longo dessa rodovia - áreas ensolaradas, sombreadas, úmidas, secas, com vento e espaços com abrigos -, variando desde áreas 100% pavimentadas a 100% vegetacional. várias partes receberão um substrato que incentiva a colonização pelas plantas emergentes - como se fossem rachaduras na calçadas em que nascem grama. tudo isso associando o melhor da agricultura com a arquitetura, conceito chamado de agritecture.


acesse o link abaixo para mais imagens

via designboom

2 de janeiro de 2009

o gigantesco potencial eólico no brasil

energia eólica, quanto mais alto, mais vento - fonte

o nordeste apesar de muito quente, é bem agradável, pois sua sensação térmica é grandiosamente reduzida pelos ventos que lá sopram.
pois de tanto vento que sopra, estima-se que 60% de energia elétrica consumida no brasil poderia ser provida por fontes eólicas nordestinas, conclusão de pesquisadores do cptec (centro de previsão do tempo e estudos climáticos), órgão ligado ao inpe (instituto nacional de pesquisas espaciais).
foi utilizado dados do atlas do potencial eólico brasileiro, e concluíram que em 71 mil km² do brasil tem velocidade adequada pra gerar energia (i.e. >7 m/s), sendo principalmente no nordeste.

a energia eólica, além de menos agressivas ao meio ambiente que as hidrelétricas e termelétricas que predominam na geração de energia em nosso país, ainda não teriam problemas com a sazonalidade das águas, que faz com que a energia gerada seja menor em hidrelétricas presentes no nordeste, principalmente nos longos períodos de seca.

o avanço tecnológico aumenta cada vez mais o potencial da energia elétrica, pois quanto mais alto, mais vento, e portanto, quanto mais alto se consegue erguer um ventiladorzão daqueles, mais energia é gerada.

mais uma coisa, ela ajuda a reduzir o efeito estufa, apesar de matar parte da fauna que sobrevoe na altura das hélices. dentre as soluções que existem, ainda é das melhores que temos em termos de custo/benefício.

fonte consultada:

30 de agosto de 2008

guerra e paz e aquecimento global

a mudança climática já foi por diversas vezes moduladora dos padrões de movimentação do homem e consequentemente de seu comportamento. estima-se que há 70 mil anos a população humana era tão baixa (cerca de 2000 indivíduos) que se pode dizer que quase fomos extintos. alguns milênios depois iniciavam-se as grandes diásporas de nossa espécie e passamos a dominar cenários nunca antes imaginado. o homem rumava à europa, à ásia e mais tarde para a oceania e as américas.

mas não foi apenas na pré-história que o clima foi decisivo nos êxodos e diásporas da humanidade.
atualmente há milhões de pessoas que são refugiadas devido a mudanças climáticas de seus habitat originais, que se tornaram demasiado hostis seja pela seca, pelas enchentes e/ou explosões de epidemias.

além disso, outros tipos de mudanças sociais também são afetadas pelas mudanças climáticas - principalmente a grandes variações térmicas de longo prazo. há desde os casos mais óbvios como a inflação devido a produtividade agrícola reduzida, como outros não tão óbvios, como por exemplo os ciclos de paz e guerra. mas uma coisa é intrinsecamente ligada a outra.

em linhas gerais as mudanças climáticas afetam diretamente a produtividade agrícola, que por sua vez diminui a disponibilidade de alimento per capita. em áreas povoadas, a redução de recursos alimentares aumenta a probabilidade de conflitos armados, fome e epidemias, os quais são eventos que reduzem a população. por este mecanismo de feedback, há maior disponibilidade de alimentos per capita, reduz-se os preços de alimentos que resulta numa relativa paz e crescimento populacional acelerado.

pela ecologia de populações sabe-se que em casos agudos de estresse ambiental, as "escolhas" adaptativas que uma espécie animal tem são a migração, mudanças nos padrões alimentares e redução da população. a redução pode se dar pela morte devido a falta de alimento ou canibalismo.
mas a nossa espécie tem alguns macetes para lidar com tal situação que se expressam em mecanismos sociais para nos adaptar às mudanças climáticas e mitigar o estresse ecológico. além da migração, há outras "escolhas" como as guerras, mudanças econômicas, inovações tecnológicas, comércio e recursos pacíficos de redistribuição de bens. desta forma, devido a plasticidade, os aspectos político-econômicos não são tão responsáveis pelas migrações em massa como as guerras.

o avanço econômico está atrelado também a outro avanço igualmente fantástico: o tecnológico.
a tecnologia visa melhorias na produtividade, eficácia e rendimento do sistema ao qual serve. quando tais progressos não acompanham as mudanças climáticas, numa situação de crescimento populacional, fome e doenças são dificilmente evitadas.

uma vez que as mudanças climáticas ocorrem em nível global ou em grande escala regional, a redistribuição e comércio de recursos (que estão escasseando) não melhora muito o cenário. daí o último recurso que temos é o político e quando este falha, a guerra e o declínio populacional é quase inevitável, sendo que isso era muito mais comum no final da era pré-industrial.

a produção de alimentos é determinante para o surgimento de algumas guerras, e é de se esperar que áreas mais áridas sejam mais conflitantes. as américas, por sua vez, apresentam relativamente pequena densidade populacional e grandes terrenos férteis, o que diminui consideravelmente os conflitos armados que aqui ocorrem. a áfrica e a europa apresentam ecossistemas bem sensíveis a mudanças climáticas como grandes desertos ou áreas congeladas.

mas apesar de cíclico, essas crises não são previsíveis mesmo existindo diversos modelos que as padronizem, tal dificuldade se deve principalmente por ser um sistema dinâmico que apresenta muitos fatores, além de cada lugar apresentar estágios de civilização, cultura e recursos naturais, que aumentam ainda mais a complexidade desse sistema.

vivemos atualmente no período mais quente dos últimos dois milênios (e a tendência é de que continue a aquecer cada vez mais rápido), o que a princípio aumenta a bioprodutividade da agricultura, mas há indícios de que o aquecimento global traz mais efeitos negativos que positivos na produtividade agrícola. os efeitos negativos já são disseminados pela mídia e muita gente está cansada de saber, mas vale a pena citar aqui: aumento do nível do mar, disseminação de doenças tropicais, aumento de eventos meteorológicos extremos e recuo glacial, adicionando custos na economia, que é atualmente baseada na energia barata. estas situações podem criar contrastes sociais gritantes que eventualmente também resultam em conflitos.

o conhecimento que temos hoje a respeito destes padrões ainda é insuficiente para inferirmos a respeito de efeitos secundários ou terciários decorrentes das mudanças climáticas. levando-nos a questões antigas como "até que ponto o planeta suporta a presença do ser humano, considerando-se padrões de vida razoavelmente confortável?" ou mais popularmente falando "até que ponto podemos nos desenvolver 'sustentavelmente'?".

uma vez que rumamos para uma população cada vez maior, visando padrões de vida mais elevados, é necessário que políticas estritamente controladas limitem escolhas adaptativas às mudanças climáticas.

queremos um futuro, e isto é praticamente unânime. mais do que saber até onde o planeta é capaz de suportar talvez a pergunta que devesse ser feita seria: "até que ponto aguentaremos alimentar as diferenças sociais?"
aquele que não se incomoda que atire as pedras.

fontes consultadas:
- early human populations evolved separately for 100,000 years, the genographic project (2008)
- global climate change, war and population declinein recent human history, david d. zhang, peter brecke, harry f. lee, yuan-qing he e zane zhang, pnas (2007)

a sustentabilidade do desenvolvimento

ou a valoração da natureza.

"pobreza e problemas ambientais
são filhos da mesma mãe,
e essa mãe é a ignorância"
ali hassan mwinyi
presidente da tanzânia em 1998


é engraçado como as pessoas dão valor as coisas, necessitando, para quase tudo, de parâmetros financeiros. desde danos sociais a ambientais, tudo é mensurado através de valorações monetárias. só para ilustrar: se disserem que na atual situação a amazônia não durará 20 anos, ou que em junho último a floresta perdeu 1,5 campo de futebol/minuto (apesar de em julho ter apresentado queda de mais de 60%) não parece ser tão grave quanto dizer que, em 1990, o brasil já tinha perdido o equivalente a 2,5 bilhões de dólares, que é maior que o pib de nosso país (que ano passado girava em torno dos 2 bilhões de dólares reais.)
então para podermos mudar alguma coisa é necessário entender. e o entendimento leva a questão de que para fazer alguém entender algo pelo qual ela não se esforça, se deve mexer onde mais dói, isto é, no bolso.

daí provavelmente surja a idéia de desenvolvimento sustentável.
este termo é bem empregado em termos de marketing, uma vez que deveria ser algo como "desenvolvimento de dano minimizado" ou coisa do tipo, pois dá a impressão de que é possível desenvolver a economia decentemente ao mesmo tempo que se preserva a natureza.
e disto surgem as idéias verdes.

é de grande importância que as pessoas entendam como a natureza funciona, para então preservá-la, ou se for alguém bem ligado nas tendências econômicas, ganhar umas verdinhas (ó que trocadalho).

saber que algo pode fazer mal a saúde ou bem-estar, no entanto, parece surtir algum efeito positivo nas atitudes das pessoas também - provavelmente por questões financeiras indiretas.
a busca por alimentos orgânicos, ovo e galinha caipira, reciclar o lixo, comprar produtos a granel, levar uma sacola de pano/lona ao fazer compras no supermercado, andar de bicicleta e usar transporte coletivo ganham cada vez mais adeptos, que muitas vezes nem sequer sabem o que estão fazendo, muito menos porque fazem isto. sabem apenas que dizem que estas atitudes diminuem o aquecimento global e possivelmente não contribui pro crescimento de grandes empresas que exploram irresponsavelmente os recursos naturais.
geralmente são pessoas com certo nível de instrução e que têm condições de pagar por tais "atitudes" (os alimentos, no caso, não o transporte coletivo). afinal é moda, e é o que dá status além de "pegar bem" socialmente.
e falando em "socialmente", a tal sustentabilidade deveria ser além de ambiental, social.

nesse cenário se insere a mentalidade de que o desenvolvimento deve sustentar a economia, o social e o ambiental. é, na verdade, ver a natureza como prestadora de serviços, é o que chamam de ecosystem services, numa tentativa de entender como a natureza funciona, quantificando e valorando a prestação de tais serviços conectando-os com bem-estar humano e os sistemas econômicos.

podemos citar nomes como wwf, greenpeace, wcs, conservation international entre outras ongs que já sacaram isso faz tempo, motivo pelo qual hoje são gigantes nesse mercado. como diria o fundador do sea shepherd e ex-greenpeace, "são como as garotas avon, que vão de porta em porta oferecendo seus produtos".
não que isso seja bom ou ruim, até porque não acredito nesse tipo de maniqueísmo. acho que como tudo tem princípios bacanas e outros nem tanto. eles sobrevivem com o dinheiro de pessoas inocentes? com certeza. muita gente nem sabe o que essas ongs fazem e mesmo assim contribuem para sustentá-las.
mas essas ongs também fazem coisas bacanas (a popularização da importância da preservação ambiental se dá muito devido a estas empresas - afinal esse reconhecimento se faz necessário pela população e pelos governos) e ganhar dinheiro é uma necessidade (e até onde sei, lícito), pelo menos na sociedade em que vivemos.

mas nem todos os planos dão certo, alguns planos conseguem total ou parcialmente atingir seus objetivos e alguns falham totalmente ao tentar fazer o desenvolvimento econômico e ambiental, vinculando-os ao bem-estar humano.

uma nova perspectiva de associação entre ciência e conservacionismo se mostra possível, com a obtenção de dados cada vez mais relevantes, e por que não, "por um mundo melhor"? afinal é bom quando a ciência ultrapassa as fronteiras da academicidade e mostra funcionalidade.

ps: uma análise mais completa (e muito mais longa) pode ser lida no linque abaixo

fontes consultadas:
- an ecosystem services framework to support both practical conservation and economic development, de heather tallis, peter kareiva, michelle marvier e amy chang, pnas (2008)