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20 de fevereiro de 2010

doméstico, pero no mucho

espécies domesticadas geralmente têm alguma característica inata de interesse para o homem (desenvolvida através dos tempos pela seleção natural) que é posteriormente aperfeiçoada para maior desempenho pela seleção artificial juntamente com a amenização de aspectos selvagens por meio da domesticação
por estas características são relativamente poucas as espécies domesticáveis, já que nem todos suportam nossa presença e atividade (se bem que os misantropos também não lidam bem com isso... tudo leva a crer que as espécies não-sinantrópicas também sejam misantropas, haha), já que algumas espécies são mais tolerantes que outras  sejam espécies vegetais, animais ou pertencentes a quaisquer outros reinos taxonômicos.
os animais domesticados se destacam geralmente por características como produção de alimento (carnes e leites), vestimentas e afins (lãs e peles) e auxílio em atividade humanas (pastoreio, pesca, caça, transporte, carga, etc), acompanhando o homem desde que ele aprendeu a domesticar os vegetais (que culminou na agricultura há cerca de 10 mil anos). 
desde então o homem expandiu sua ocupação geográfica, assim como aumentou vertiginosamente sua população (assim como a dos animais que levava consigo), aumentando as demandas de recursos naturais como consequência.
no leque de animais domésticos, um que se destaca exatamente por apresentar virtualmente nenhuma dessas principais característica que interessam ao homem, está aquele que descende dos predadores mais elegantes da natureza: os gatos.


raças clássicas de gato, apesar de tudo, a diferença entre eles surgiu recentemente(fonte)

a origem destes animais como pet não é muito clara. 
a evidência aqueológica mais antiga (datada em 9.500 anos de idade), é de um corpo enterrado com um gato, descoberto em 2004, no chipre. até então, era comum a afirmação de que a domesticação do felino tivesse ocorrido no egito antigo, há apenas 3.500 anos.
gato no chipre há 9.500 anos atrás (circulado): provavelmente vieram do oriente médio.¹ 

apesar do gato mais velho já encontrado ser do chipre, é sabido que o gato selvagem do oriente médio (Felis silvestris lybica), o ancestral direto dos gatos domésticos atuais, não ocorre naquela ilha. sua distribuição original se situa na parte continental entre o norte da áfrica e a ásia menor, permitindo a inferência de que estes animais tenham sido levado pelo homem a partir do oriente médio.
é interessante lembrar que o oriente médio, mais especificamente o crescente fértil é o berço de um dos mais velhos (e mais intensamente manejados) sistemas agrícolas. traçando o paralelo entre a agricultura e a distribuição original do gato doméstico percebemos que ambos coexistem no espaço e tempo.
desta forma, percebemos o nicho marginal que o gato apresentou no processo de domesticação e sua inserção nas sociedades humanas: aqueles indivíduos que nos toleravam, podia aproveitar as sobras alimentares que a expansão das primeiras cidades provia, além dos pequenos animais (principalmente roedores) que eram atraídos pela estocagem de produtos agrícolas.
por este processo, o gato foi aos poucos aceitando o homem (e não o contrário, como poderíamos supor), tolerando o convívio nada fácil conosco, colonizando novos hábitats graças a atividade antrópica.
o gato é um animal explorador e, como qualquer outro animal, vai em busca de ambientes favoráveis, locais estes que apresentem condições mínimas de abrigo, água e alimento. atualmente, estas condições são satisfeitas virtualmente em todos os lugares que o homem habite. a capacidade de exploração é bastante notável, bem ilustrado no caso de sandy, o gato inglês que foi encontrado num navio em bilbao, na espanha.




tira de paulo kielwagen, lencinho umedecido é o escambau!


a expansão biogeográfica dos gatos domésticos está intrinsecamente relacionado à história do próprio homem, apesar de não ser claro a partir de que momento conseguimos domesticá-lo de verdade, sabemos com certeza que eles nos acompanham pelo menos desde o egito antigo (há 2900 anos a deusa Bastet é personificada na forma de um gato, sendo considerado um dos aspectos mais claros da domesticação do gato pelo homem). porém, a ocupação geográfica do gato doméstico sofreu um verdadeiro boom com a expansão do império romano, assim como das diversas rotas comerciais que surgiam, influenciando diversas culturas humanas ao longo de toda história e registrados extensivamente em forma de estatuetas e pinturas. estima-se que atualmente cerca de 600 milhões de gatos vivam conosco como animal de estimação.
porém, mesmo depois de tanto tempo de domesticação, o gato ainda é um animal um tanto "menos doméstico" do que aqueles que assim denominamos, devido principalmente à ausência de pressões de seleção que exercemos sobre eles, já que, como dito, não apresentam virtualmente nenhuma "utilidade" explícita para o homem, sendo acolhido mais pela aparência que por outro aspecto. 
eles são tão cuti-cuti!!

devido a isso, o gato não apresenta tão discrepantes diferenças de tamanho, forma e temperamento (em comparação com outros animais domésticos). para agravar, os intercruzamentos de variedades domésticas ferais e selvagens ocorre com certa frequência, mantendo obscuro o limite entre populações distintas.
as pressões seletivas humanas mais relevantes em relação às raças de gato ocorreram bem mais recentemente, lá pelos idos do século XIX (e todos com ênfase na aparência deste belo predador), e, hoje, com os avanços zootécnicos, os gatos estão num estágio totalmente novo de sua domesticação: a hibridização com espécies selvagens, gerando variedades de formas, tamanhos e manchas totalmente novas em gatos. (como exemplo veja o link da foto abaixo)
gato x serval, uma bela mistura denominada savannah cat ("gato da savana", em tradução livre) (fonte)


Fonte consultada:
¹Driscoll CA, Clutton-Brock J, Kitchener AC, O'Brien SJ. The taming of the cat. Scientific American June 2009.

28 de outubro de 2009

filmes, o ambiente e o homem

na última sexta feira, dia 23, teve início a 33ª mostra internacional de cinema, em são paulo.
esta é uma oportunidade anual de se conhecer os novos trabalhos de diversos cineastas do mundo todo, abrangendo tudo quanto é tipo de filme. aqui vou falar de dois documentários bem interessantes a que assisti: "a árvore da música" e "nos enfant nous accuseront"



o primeiro é um filme de otávio juliano, lançado este ano, e trata sobre diversos aspectos do pau-brasil (Caesalpinia echinata). sabiam que a madeira do pau-brasil é considerada a melhor para se fazer arcos de instrumentos orquestrais de corda como violino, cello, baixo e afins? pois é, devido a características como resistência e elasticidade, além da cor maravilhosa, esta é, há séculos, a matéria prima preferida utilizada por archeteiros (é como se chamam as pessoas que confeccionam arcos). porém, com a mata atlântica indo pro beleléu (donde o pau-brasil é endêmico), a árvore também corre grandes riscos de extinção.
é óbvio que o cenário crítico não é culpa dos músicos/archeteiros, mas atualmente esta é a principal atividade econômica associada ao pau-brasil.
o pau-brasil como qualquer brasileiro tem a obrigação de saber, é a planta que batiza nosso país. foi muito cobiçada por causa dos corantes vermelhos que contém. o vermelho, por sua vez, é símbolo de nobreza, o que levou o pau-brasil a ser explorada sem dó (além de que há tempos atrás - e não é preciso ir tão pra trás no tempo - a ordem de progresso era a exploração da terra e não sua compreensão e conservação).
atualmente os principais remanescentes de populações de pau-brasil se encontram em terrenos inapropriados para outros tipos de uso da terra, conseguindo, apenas por isso, se manter.
o doc mostra também, apesar de não enfatizar apropriadamente, que os agroflorestamentos com plantações de cacau é uma boa forma de se conservar espécimes de pau-brasil, com DAP (diâmetro na altura do peito) de mais de 3,5m, o que é um tamanho considerável para esta espécie. o filme também mostra como tem muito mais gringo (principalmente franceses) preocupado com a sobrevivência da espécie que as entidades nacionais.

o doc falha ao não abordar que isto é também reflexo do estilo de vida contemporâneo, e aparentemente acaba ignorando o contexto maior no qual isso tudo se insere, como se fosse uma preocupação apenas de botânicos, músicos, archeteireos e do IBAMA, fazendo o doc ter apenas um carater informativo sobre as pessoas diretamente envolvidas com a planta. apesar disso vale a pena ver o que as pessoas envolvidas com as populações remanescentes de pau brasil têm a dizer.



o segundo filme do qual falarei teve o título traduzido como "nossos filhos vão nos culpar", é um filme francês, de jean-paul jaud, do ano passado.
o doc faz a correlação de como os casos crescentes de diversas doenças nas últimas décadas está diretamente ligado a alimentação, devido às doses cavalares de agrotóxicos que se aplica na agricultura convencional (o qual o filme chama apropriadamente de agricultura química). a inspiração do doc vem de uma ação pioneira do prefeito de barjac, na frança. lá ele substituiu toda alimentação das cantinas de escolas primárias por alimentos orgânicos.
é notável como a distribuição do alimento é organizada, reduzindo enormemente o desperdício: contabilizando-se quantas pessoas (adultas, crianças grandes e crianças pequenas) irão comer e cozinhando o suficiente para elas.
o doc intercala cenas de eventos da unesco, de reunião do prefeito de barjac com agricultores orgânicos e químicos além de outros eventos como o dia-a-dia de escolas e famílias de alunos e depoimentos, principalmente de agricultores.
muito legal, muita inveja de pequenas comunidades que aprenderam a respeitar e agora convivem bem com sistemas produtivos compatíveis as necessidades locais.
muitas coisas pra dizer, mas estragaria os docs. como bom amante de filmes, o desconhecimento é o principal fator para uma boa surpresa.

então fica aí a sugestão para assistirem na mostra:
outros horários para a árvore da vida: 02/11 às 16:00 no cinema da vila e 03/11 às 14:00 no mis (museu da imagem e do som); para o nos enfant nous accuseront: 30/10 às 20:00 ccsp (centro cultural são paulo), 03/11 às 18:00 cine bombril sala1, 04/11 às 17:50 matilha cultural. clique nos linques no começo do post para mais informações.

          

boa mostra!

17 de outubro de 2009

comida é pasto

quando pensamos no sistema de produção e distribuição do alimento, raramente vemos pela perspectiva ecológica [como "ecológica" entendo a interrelação das partes vivas com as não-vivas, assim como de cada parte consigo mesma; tudo resultante de uma história evolutiva]. aqui tentarei fazer algumas considerações interessantes sobre o assunto.

pra começar, a alimentação e a reprodução são, ao meu ver, os dois aspectos mais cruciais da vida. com a reprodução elevamos a probabilidade de manter os genes na população mesmo daqui a várias gerações - afetando o conjunto de genes dessa população (pool genético) -, mantendo ou mesmo elevando o que chamamos de fitness. e com a alimentação obtemos energia para nos manter vivos, aumentando a probabilidade de ter um sucesso reprodutivo.

acho que o modo mais claro para entender o sistema atual de produção alimentar é a partir da a evolução do próprio homem, e assim perceber como chegamos ao ponto em que estamos, e mais que isso, perceber o que estamos fazendo e para onde este modo de vida está nos levando.

o gênero Homo e o H. sapiens
pertencemos a espécie Homo sapiens, que ironicamente significa homem sapiente. se analisarmos os nossos ancestrais humanos (Homo ssp), veremos que apesar de sermos os únicos humanos atuais, outros já vagaram pela superfície do planeta.

o gênero Homo, da família Hominidae, surge há cerca de 2,5 milhões de anos, no sul e leste da áfrica. o homem sempre ocupou nichos marginais da savana africana, desenvolvendo adaptações fisiológicas, anatômicas e sociais interessantes. pelos registros fósseis se observam diversas aquisições evolutivas até o surgimento de nossa querida espécie, dentre elas podemos destacar o bipedalismo [acho o termo mais apropriado que bipedia, pois bípede só quer dizer que o bicho fica sobre duas patas, já o bipedalismo dá a idéia da locomoção por meio da alternância das pernas]. esta mudança permite ao homem abandonar o hábito arborícola e utilizar as mãos para fazer movimentos manuais finos. por toda a linhagem humana, verifica-se um gradativo aumento do volume encefálico, isto é, crescente volume do cérebro. este aumento está intimamente ligado com o aumento da capacidade cognitivo-simbólica [que originam fala, escrita, gramática, artes, religião, dentre tantas outras coisas demasiado humanas], ocorrido no paleolítico superior (num período entre 60 mil e 10 mil anos atrás conhecido como período da revolução cultural).


liberdade das mãos para manipulação de ferramentas e armas
dawn of man - cena de 2001: uma odisséia no espaço, de stanley kubrick


a alvorada do homem, apesar de toda essa história evolutiva não tem um cenário muito animador, éramos apenas uma espécie de primatas nômades no meio do semi-árido africano, motivo pelo qual somos generalistas-oportunistas e onívoros, sendo indefesos isoladamente apesar de um poder virtualmente infinito quando em grupo. antes da grande diáspora humana (de saída do continente africano), o homem é quase extinto, se não fosse sua capacidade de representação gráfica para indicar a localização de recursos.

a capacidade de habilidades manuais finas permite o desenvolvimento da tecnologia, principalmente de caça e de guerra. armas são forjadas pela primeira vez a partir de pedras lascadas (na famigerada Idade da Pedra), nos dando uma perspectiva fértil na obtenção de alimento e território. outras habilidades do homem são bem generalistas: não corre muito rápido, não é muito grande, não nada grandes distâncias, não sabe voar, não escala muito, mas é bastante resistente em atividades moderadas de longa duração. a utilização desta habilidade se torna a principal estratégia para caça, permitindo ao homem vencer uma caça pelo cansaço (ao contrário da estratégia de atacar uma presa com o fator surpresa e matar com relativa rapidez, comum em diversos predadores).

a carne de caça tem um significado único, não apenas visceral (biológico), mas a partir do desenvolvimento cognitivo já mencionado, adquire um valor simbólico afetando toda estrutura social e política do homem. o retorno dos caçadores obviamente é comemorado com festa e muita carne, ritual semelhante que ainda ocorre entre humanos. um domínio tecnológico paralelo a tudo isso é o do fogo, que permite a existência da culinária, associando a carne caçada pelos machos com elementos vegetais coletados pelas fêmeas do bando.

revoluções agrícola, industrial e verde
entre dez e cinco mil anos atrás ocorre a revolução agrícola do neolítico em diversos locais independentemente, como meio de controlar os recursos alimentares necessários as sociedades humanas. esta é uma agricultura rudimentar, na qual as espécies escolhidas, tanto de plantas como de animais, são apenas incorporadas na sociedade humana, de forma a se ter fácil acesso ao alimento. desta forma, o homem deixa, pela primeira vez, de ser nômade, fixando-se em rudimentos de cidades, baseados no núcleo familiar. a domesticação de ruminantes é o passo crucial para a consolidação tecnológica que precede a expansão agrícola. a domesticação propriamente dita, ocorre posteriormente, quando os recursos agropastoris passam a sofrer intenso manejo para a produção de alimento e não apenas agregados à sociedade para controle de recursos.

se observarmos por esta perspectiva evolutiva, percebemos mais facilmente que as mudanças ocorridas nos últimos 2 milhões de anos, faz do sistema de obtenção de alimento, um fator decisivo no desenvolvimento populacional da espécie humana.

conforme o tempo passa o homem se torna o animal que conhecemos e, desta forma, podemos traçar um elo do alimento com várias dimensões da existência humana: biológica, econômica (relação de trocas), sócio-política (estratificação e divisão do trabalho e concentração de poder), cultural e também ambiental (através da modificação de paisagens inteiras).

a desestruturação social da perda do núcleo familiar [ouso dizer que a partir do renascimento], faz com que encaremos um dilema evolutivo do que somos com o que nos tornamos culturalmente. mas é somente a partir da revolução industrial que o sistema produtivo adquire novas feições, alterando completamente a estrutura social do homem. a agricultura de comodities passa a ser expressiva, principalmente os alimentos estimulantes como chás, cafés, açúcar e chocolate, servindo como a base alimentar para a dependência químico-tecnológica da sociedade.

a revolução industrial introduziu também a monocultura para produção em larga escala de alimento para suprimir as necessidades alimentares das populações industriais, cada vez mais crescentes e pela primeira vez as paisagens se tornam domesticadas. o grande impacto de monoculturas, assim como de qualquer homogeneização da biodiversidade, é que, dentre outras coisas, os seres que constituem o sistema passam a ser mais susceptíveis a doenças, pelo fato de haver uma condição demográfica que favorece a livre circulação de patógenos, tornando-os mais nocivos do que num sistema com maior diversidade. isso podemos ver não apenas na agricultura, como também em cidades, nos quais os indivíduos de uma população ficam muito mais próximos, gerando também uma infinidade de fatores estressantes. os fatores estressantes nos grandes centros urbanos são causas de violência e doenças crônicas, afetando enormemente a qualidade de vida dos indivíduos que o constituem.


substâncias químicas eram ameaças constantes na segunda guerra.
porteriormente se tornou ameaça constante na alimentação. foto

a resposta para diversas patologias, na produção de alimentos, veio com a Revolução Verde. esta revolução ocorre no período pós-guerra, com diversos avanços nos estudos de substâncias químicas ocorridas durante a guerra provenientes de pesquisas que foram feitas principalmente com o fim de se produzir armas químicas. essas substâncias são o que conhecemos atualmente como agrotóxicos, e estão sendo progressivamente evitados pelas pessoas conforme se conhece os efeitos nocivos tanto de toxicidade humana (carcinogenia, doenças neurodegenerativas) como de ecotoxicidade (que em última análise causam a toxicidade humana).

o último salto tecnológico que percebo nessa linhagem é o surgimento de transgênicos da engenharia genética por meio do DNA recombinante. porém ao contrário dos passos anteriores, este não visa primariamente o aumento da produtividade para a segurança alimentar, mas para fins nitidamente mercadológicos a produção de plantas resistentes a patógenos e pragas.  esta tecnologia é uma faca de dois gumes e atualmente há diversas plantas modificadas geneticamente que ajudam o produtor a ter maior produtividade, ao passo que há empresas detentoras de patentes de organismos geneticamente modificados (OGMs) que praticamente escravizam os pequenos produtores, juntamente a isso, a segurança biológica é questionável, tanto para a saúde humana como para o meio ambiente.

o discurso da segurança alimentar é uma grande farsa em países não miseráveis, o brasil é um exemplo crasso e assim como uma das piores distribuições de renda do planeta, a distribuição de recursos alimentares também é bem tosca. boa parte da produção de alimento é perdido na colheita, estocagem, transporte, doenças/'pragas' e outros processos que existem entre o produtor e o consumidor final.

outros problemas ecológicos existem para a segurança alimentar, necessitando manejo cada vez mais intenso e minucioso. é necessário se preocupar com os lençóis freáticos, cada vez mais contaminados com fertilizantes, biocidas e tantos outros químicos ainda usados amplamente em países em desenvolvimento; além disso, o manejo adequado do solo e de serviços ecossistêmicos como a qualidade do ar, da água e da vegetação são cruciais para que se mantenha o mínimo de qualidade de vida do homem.

algumas opções atuais me parecem bem plausíveis na produção de alimento para o homem, indo da permacultura à agricultura de precisão, passando pelo agroflorestamento.
a permacultura é uma idéia bem natureba, mantém a diversidade local sendo uma ótima opção para pequenas produções, produzindo e distribuindo localmente recursos de forma pouco impactante aproveitando as condições ambientais que um determinado local oferece. com custo baixo, e disponibilidade de recursos para subsistência.
a agricultura de precisão, é o extremo oposto, com monoculturas extremamente mecanizadas, com a aplicação de tecnologia de ponta (i.e. de alto custo) como colheitadeiras munidos de gps e outros quitutes que permitem aproveitar ao máximo a produtividade de um determinado local, considerando todos os recursos e manejando-os de forma a não estragar o solo, fertilidade, água, etc.
já o agroflorestamento eu desconheço o quanto é aplicado. a idéia básica dele é intercalar linhas de cultivo com árvores, associando os benefícios que os dois tipos de cultura podem proporcionar.

o paradoxo que surge é que a demanda por alimento é óbviamente grande, mas a produção é ainda maior e mesmo assim muita gente passa fome. grandes extensões de terra para o plantio de commodities além da perda da diversidade cultural e biológica parecem estar nos guiando a um beco sem saída. nesse cenário de miséria geral e tecnologia e conhecimento para se dizimar tantas desigualdades a pergunta talvez seja: até quando o homem vai patrocinar a fome do outro? a ausência desse questionamento por parte de quem só ganha nesse jogo é simplesmente desanimador.


comida é um luxo, foto

para onde este sistema de produção está nos levando ainda não está muito claro, mas não precisa ser um gênio para perceber que a humanidade como um todo não anda muito bem das pernas, mas as consequências disso (não apenas ambientais, mas socio-político-economica) começam a se revelar aos poucos. a ocupação do homem no uso da terra é crítico para a manutenção da qualidade de vida, mas é necessário muito mais planejamento e administração por parte dos governos, e maior crítica e exigência por parte das pessoas com algum acesso às informações. esta provavelmente seja a maior contribuição que podemos fazer como cidadãos.

este texto é resultado da reflexão suscitada por aulas de botânica econômica, de biologia evolutiva do homem e de antropologia.

14 de outubro de 2009

grow to go

um incentivo à agricultura orgânica de subsistência

sou um simpatizante da agricultura orgânica de subsistência.
não por ser mais correto ou qualquer bla-bla-bla utilizado no marketing verde atual.
a verdade é que a qualidade do alimento é bem diferente.
sempre gostei de pegar frutas no sítio da minha vó, comer alimentos frescos e coisas do tipo.
e gosto também de usar os temperos que planto no quintal, apesar de estar seriamente em falta com as cebolinhas e os manjericões, mas isso é outra história.

me empolgo com algumas idéias que vejo, principalmente nos blógues de design, de incentivar as pessoas para que plantem algumas coisas que consomem na própria casa, mesmo que apenas parcialmente. gosto de achar que é um pouco da volta de valores domésticos/familiares do qual fomos progressivamente afastados nos últimos séculos (a partir do renascimento, e que está acelerando continuamente desde a Revolução Industrial).
é um pouco da sensatez ao repensar os hábitos a partir das informações a que temos acesso.

o estudio austríaco de design bradedescalope pegou diversos conceitos de fast food e contruiu um tipo de loja de conveniencia em que v. compra semente de plantas, no vienna design week '09. dentre outras coisas, transformaram as embalagens em substratos prontos para o plantio de diversos tipos de alimentos. a embalagem que lembra as embalagens de hamburguer feitas de isopor são na verdade feitos de arroz e é degradado servindo também como adubo.

então é assim: v. entra numa loja com parência de fast food, sai com pacotes que remetem a fast food mas na verdade é tudo fachada pra v. levar pra casa material pra cultivo (semente+substrato) de coisas que v. poderá colher e comer... tudo prontinho, como um fast food, mas sem ser.

a idéia é ótima, e já que as pessoas não tomam vergonha na cara pra comprar pacotinhos de sementes a menos de R$0,50 em qualquer loja que venda plantas além de alguns quilos de terra por uns cinco reais, acho que isso é uma iniciativa válida.
afinal, se o marketing ensina algo é que podemos manipular o comportamento alheio a fim de vender algum produto, dando uma roupagem atrativa a ele.
apesar disso, acho que uma idéia desse tipo não cole no Brasil, pelo menos não tão cedo... sendo otimista, quem sabe daqui a algumas décadas. (quando os gringos já estiverem avançando sobre outras idéias)

e viva as facilidades modernas!

via design boom

7 de setembro de 2009

homogeneização antropogênica e extrapolações

uma das consequências mais graves da atividade humana é a redução de biodiversidade.
e uma das formas pelas quais isto ocorre, é pela introdução de espécies invasoras.
a definição que acho mais pertinente para o termo é que estas espécies são exóticas (ou seja, que não têm sua origem evolutiva no local de ocorrência; alguns preferem o termo não-nativa) E causam algum tipo de dano ecológico. os danos mais comuns seriam competição com espécies nativas, hibridização ou até mesmo extinção de populações de espécies locais (recomendo os artigos publicados na revista da SBPC indicados no fim do post).

a introdução de uma espécie exótica num ecossistema se dá de duas formas: natural ou facilitada/mediada pelo homem. como caso de introdução natural de espécie, podemos citar eventos geológicos como a união geográfica da américa do norte com a do sul. este evento ocorreu no período neogeno (também conhecido como período terciário) da era cenozóica, num evento geológico recente de poucos milhões de anos, permitindo intenso intercâmbio de faunas. outros casos mais comuns sãopela expansão da distribuição de determinada espécie. atualmente a constante alteração do uso da terra faz com que este processo seja imensamente facilitado.

portanto, o surgimento do homem acelera ou medeia invasões biológicas. esta introdução, por sua vez, pode ser intencional ou acidental.
interesses econômicos são as principais causas da introdução intencional de espécies exóticas como produção agropecuária ou o mercado de animais de estimação (tanto legal como ilegalmente).

aqui acho relevante fazer um pequeno adendo:
para pessoas que compram pets exóticos, desde peixinhos, tartaruguinhas e outros bichinhos que são amplamente adquiridos mundo afora: quando não se desejar mais ter o animal exótico, não se deve JAMAIS soltá-lo na natureza (o bem que v. nem sabe se fará ao bichinho, pois ele pode morrer na primeira hora de liberdade, pode causar males ecológicos notáveis... a política brasileira é um ótimo exemplo disso). há casos de extinções de populações inteiras na natureza por causa de atitudes como essa de ir à beira da estrada e soltar o bicho no meio do primeiro mato que o cara encontra na frente. o ideal então é contatar uma entidade competente (não sei, mas eu procuraria o ibama ou secretarias de meio ambiente para saber como proceder) para destinar o animal. há casos em que os animais são destinados a zoológicos ou centros de reabilitação, mas depende muito de cada caso. muitas vezes é melhor sacrificar o animal.


agora voltemos à programação normal:
um caso comum em que se introduz propositalmente uma espécie exótica é a introdução dos predadores naturais de espécies introduzidas previamente (pode-se dizer que, geralmente, se introduz um fator de desestruturação ecológica na tentativa de amenizar outro; aumentando problemas ao invés de resolver). casos clássicos são relatados na austrália.
a introdução de forma acidental é muito menos intuitiva, e é bem ilustrada no caso de embarcações, que levam animais marinhos na água de lastro. no Brasil, os casos mais antigos remetem à época da colonização de nosso país, com invasões biológicas de moluscos incrustados nas caravelas.

caravelas traziam colonizadores a bordo e moluscos no casco. foto

de qualquer forma, a entrada de espécies invasoras tende a homogeneizar a genética das espécies que ocorrem num determinado local. isso quer dizer que a biodiversidade sofre uma redução. sobre este fenômeno associado à atividade humana, diz-se que ocorre uma homogeneização antropogênica. as atuais atividades em nível global aceleram ainda mais tal processo.
eu considero que as cidades tenham papel fundamental na homogeneização, não apenas das espécies mas do ambiente, já que as cidades compartilham algumas características comuns como o fato de que conforme crescem, tendem a se edificar cada vez mais, além de aumentar a concentração demográfica da população humana como dos animais sinantrópicos que ocorrem ali. é claro que ainda restam características específicas de cada local. na cidade de são paulo e em proximidades, por exemplo, podemos ver facilmente animais (nativos/exóticos, domesticados/semi-ferais/ferais/silvestres) como bem-te-vis, sabiás-laranjeiras, avoantes, joões-de-barro, pardais, garças-brancas, pombos-domésticos, maritacas, cães, gatos, ratos, baratas, aranhas, etc..., além do próprio homem, sem grande variação das espécies predominantes na fauna local. isso obviamente é resultado da ocupação humana, que cria um "vegetação" homogênea (uma "selva de pedras"?!). hábitats sem variação ambiental invevitavelmente tem uma fauna pouco variada (isto é, pouco diversificada).

o papel ecológico dos componentes das cidades é bem homogêneo apesar de detalhes estéticos diferentes. a expressão humana assim como qualquer outro fator ecológico, é influenciada e influencia o ambiente ao mesmo tempo que é uma influência sobre outros seres: é a relação biótico e abiótico que define a ecologia.

são paulo, ambiente homogeneizado pela ocupção humana. foto

como ambientes urbanos são homogêneos, a expressão humana também tende a se homogeneizar. quero dizer que a cultura também sofre a homogeneização criada pelo próprio homem. músicas globais, filmes globais (não da rede globo, mas hollywoodianos!hahaha), idiomas globais. tudo isso tende a hibridizar com ou substituir culturas locais.
a diversidade de idéias parece diminuir cada vez mais. alguns sofrem mais com isso que outros, claro, mas no geral isso se dá em detrimento de folclores e artes, valores morais e familiares locais, etc... possibilitando a identificação de pessoas totalmente diferentes, mas em detrimento de regionalismos.

hoje em dia fala-se em cidadãos globais, preocupados com causas globais (a internet age como o melhor catalisador já inventado). o futuro do planeta e o estilo de vida a se seguir; tendências culturais de todas as artes nos locais mais bacanas. isso tudo tende a fazer com que idéias mais "adaptadas" sobrevivam. cada sociedade é um ambiente adequado para idéias diferentes, e mais uma vez surge a identidade local. perdem-se muitas cores e ganham-se poucas, é uma relação assimétrica, talvez desprovida de intenção. a homogeneização não ocorre apenas em cidades, mas em qualquer local que o homem ocupe e homogeneíze, afetando as diversidades biológica e cultural.

recomendações de leitura
- Souza RCCL, Calazans SH, Silva EP, 2009. Impacto das espécies invasoras no ambiente aquático.
- Machado, CJS, Oliveira AES, Matos DMS, Pivello V, Chame M, Souza RCCL, Calazans SH, Silva EP, 2009. Recomendações para elaboração e consolidação de uma estratégia nacional de prevenção e controle das espécies exóticas no Brasil.

7 de junho de 2009

viveiros municipais de são paulo

o dia do meio ambiente já foi, mas no brasil-sil-sil ainda temos a semana do meio ambiente. então vale a pena a dica aqui.
eu vi isso ontem no sptv, com uma reportagem sensacionalista. (sim! por incrível que pareça conseguiram um quê de sensacionalismo até numa simples reportagem sobre a doação de mudas pelos viveiros municipais nesta semana, praticamente dizendo que as árvores estão destruindo a cidade! hehehe) mas vamos aproveitar algumas informações relevantes.

quando for plantar uma árvore é bom saber como ela cresce para que não traga prejuízos como a elevação de calçadas ou crescer além de fiações elétricas. o paisagismo deve ser parte do planejamento urbano, mas como a cidade é porcamente planejada, é de se esperar que o aspecto paisagístico também o seja.
viveiro municipal manequinho lopes, no ibirapuera - fonte

além desta, outra informação interessante deixada pela reportagem é de que estão disponíveis nos viveiros municipais, mudas para doação, pelo menos nesta semana. não sei se sempre doam ou se apenas o estão fazendo por ser a semana do meio ambiente.

lembre-se, meio-ambiente não é só a grande massa verde que é promovida por aí, mas também muitas outras coisas que estão interrelacionadas com ela.

6 de maio de 2009

sujeira no encantado mercado farmacológico

quando ler non solus no logo da elsevier lembre-se que ela pode estar com más companhias.
esta é uma montagem (com as logomarcas da merck e elsevier) meramente artística

sempre ouço falar de histórias arrepiantes envolvendo o mercado farmacológico, como as atrocidades que ocorrem na África.

mas desta vez é um pouco diferente, não sei se mais grave, porém diferente.
através da ScienceBlogs, li que a Elsevier - uma das maiores editoras de periódicos de ciências, tecnologia e saúde - publicou em 2003 e 2004 alguns números de um periódico falso nomeado Australasian Journal of Bone and Joint Medicine, no qual os artigos e peer reviews ali contidos, basicamente mostravam dados que favoreciam produtos da Merck, ou seja, houve uso indiscriminado da credibilidade da Elsevier como ferramenta de marketing. as quantias envolvidas de verdinhas obviamente não são conhecidas, mas considerando o tamanho das duas empresas, não deve ter sido pouca coisa envolvida no esquema.

O caso foi divulgado há quase um mês, pelo jornal online the australian, porém só teve repercussão maior quando a the scientist divulgou (semana passada) um texto sobre o assunto. (um rápido cadastro permite o acesso ao texto, que contém 2 pdfs para o leitor verificar a safadeza com os próprios olhos)

outros textos sobre o assunto podem ser vistos no bioethics, e nos blógues do ScienceBlogs.

entrei no site da merck e tá escrito logo de cara: merck & co., inc. is a global research-driven pharmaceutical company dedicated to putting money!!! patients first. bem bacana, não achei que existisse qualquer empresa farmacêutica com um propósito tão nobre.

---updated---

elsevier assume a publicação de 6 periódicos falsos (listados logo abaixo), via the scientist

Australasian Journal of General Practice
Australasian Journal of Neurology
Australasian Journal of Cardiology
Australasian Journal of Clinical Pharmacy
Australasian Journal of Cardiovascular Medicine
Australasian Journal of Bone & Joint Medicine

14 de abril de 2009

o mestre da desinformação

recebi recentemente o email de Júlio César Bicca-Marques, através do grupo de emails de primatologia, no qual ele divulga a campanha "proteja seu anjo da guarda"

mas vamos por partes: globo ataca novamente com todo seu poder de persuasão desinformativa e alienante. é uma tremenda irresponsabilidade por parte de formadores de opinião fazer todo desserviço que prestam a fazer diariamente.

"A febre amarelaG é uma doença infecciosa, transmitida por um vírus do macacos [sic]. O mosquito pica o macaco e transmite ao homem."

"o mosquito pica o macaco e transmite ao homem"? que mecanismo biológico é esse?

quem transmite a doença ao macaco é o mosquito, assim como ao homem. se este mecanismo, de um vetor picar o macaco e depois picar o homem, for motivo de perseguição ao macaco bugio - espécies do gênero Alouatta - então deveríamos perseguir todas as outras pessoas que se tornam infectadas com a doença também. mas isso é uma tremenda idiotice sem tamanho.

a consequência direta disto é o medo e a perseguição em relação ao simpático bugio. o bugio sofre os atos antropogênicos duas vezes devido a febre amarela, pois além de sofrer com a degradação ambiental na forma de perda de habitat, ainda é perseguido devido ao ódio sem sentido das pessoas que se sentem lesadas com a doença. é a culpabilização da vítima que neste caso agrava o estado de conservação do bugio, além de ser ilegal causar a morte destes animais.

bugio possivelmente vítima de febre amarela em estado avançado de decomposição
(fonte)

o nome da campanha "proteja seu anjo da guarda" se justifica pelo fato de que mortes de bugios por febre amarela serve como bioindicador da circulação do vírus na região, alertando órgãos de saúde pública e acelerando programas de vacinação ao vírus da febre amarela.

mais uma vez a frase de dostoievski cabe aqui: "O homem está sempre pronto para distorcer aquilo que dizem os seus sentidos, simplesmente para justificar a sua lógica."

G existem dois tipos de febre amarela: a urbana, erradicada do brasil por volta da década de 1960, e a silvestre. os vetores da forma silvestre são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, enquanto a forma urbana pode ser transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue.

via primatologia (yahoo! grupos)

7 de abril de 2009

and now... the misconceptions!

"false facts are highly injurious to the progress of science, for they often endure long; but false views, if supported by some evidence, do little harm, for everyone takes a salutary pleasure in proving their falseness; and when this is done, one path towards error is closed and the road to truth is often at the same time opened."
charles darwin


fui introduzido ao conceito de misconceptions há alguns meses pelo prof. ranvaud, da usp.
a princípio a idéia veio da educação, no qual os seguintes itens caracterizam-na:

1. a idéia é muito difusa (arbitrariamente, talvez >20% dos alunos)
2. resiste a mudança (os alunos confabulam desculpas pra mostrar que estão certos)
3. convive com outros conceitos que são terminantemente incompatíveis com a misconception em questão
4. é grave, uma verdadeira ameaça à integridade da estrutura cognitiva em que aquela área está montada para a pessoa

porém, não só na educação isto ocorre, mas muitos conceitos ou pré-conceitos e pensamentos intuitivos reforçam essas tais concepções errôneas, podendo haver onde quer que o conhecimento humano exista.

alguns exemplos crassos relacionados à biologia:
- a teoria da evolução aborda a origem da vida
- machos de outras espécies são aptos a se reproduzir o ano todo assim como humanos.
- o cérebro humano apresenta 100 bilhões de neurônios
- cobra = serpente
- pássaro = ave
- ecologia = ambientalismo

o fato é que tanto o conhecimento popular como o meio acadêmico está sujeito às misconceptions.

talvez haja algum valor adaptativo nisto, pois não temos acesso a todas as informações que precisamos o tempo todo, precisando de extrapolações a partir do que temos em mãos.

então vou relatar aqui uma misconception pessoal que só me dei conta durante minha graduação quando, devido ao meu tcc com territorialidade de coruja-buraqueira (Athene cunicularia), tive mais contato com a ornitologia. o fato é que aves não dormem em ninhos a vida toda, como muitos desenhos me induziram a pensar durante um bom tempo.
aves dormem, geralmente, empoleirados em árvores conhecidas, apropriadamente, como dormitórios, ou então dormem no chão e no máximo em buracos, conforme os hábitos e plasticidade da espécie.

passarinho dormindo em comedouro (foto)

o ninho é um importante detalhe do comportamento reprodutivo das aves, o qual serve para oviposição, incubação, eclosão, proteção ao filhote que ainda não tem penas, até que o filhote se emancipe (aprendendo a voar e se alimentar por conta própria). após este período, as aves caem fora do ninho, abandonam-na, podendo retornar para o mesmo ninho, contruir um novo ninho ou até mesmo utilizar um outro ninho na próxima estação reprodutiva.

...são enormes detalhes que fazem toda diferença.

29 de março de 2009

é sempre lua cheia na cidade

ontem rolou a hora do planeta, promovida mundialmente pela wwf, esta foi a primeira participação da wwf tupiniquim neste evento.
segundo o site do wwf-br, o evento é um "ato simbólico (...) para demonstrar preocupação com o aquecimento global".
na paulicéia, os seguintes estabelecimentos/locais participaram oficialmente: ponte estaiada, monumento às bandeiras,viaduto do chá,estádio do pacaembu, teatro municipal, obelisco, parque do ibirapuera, fonte do parque independência, instituto butantan, museu de arte moderna, edifício copan, world trade center, sheraton hotel e sede da vivo.

apesar de alguns eventos terem sido promovidos aproveitando a pouca escuridão que se obtinha, muito provavelmente a maioria das pessoas que não tivesse conhecimento do evento, apenas estranhasse que alguns pontos estivessem menos iluminados que o normal.

por ser simbólico, muitas pessoas devem ter acendido velas por aí, para não iluminar, mas talvez parafina de velas seja bem mais poluentes que watts gastos eletricamente.

apesar do blecaute bem parcial da cidade ter sido em protesto aos danos indiretos da iluminação, aqui neste post falarei exatamente dos danos diretos que causamos com a iluminação.

poluição luminosa

a national geographic deste mês trouxe de brinde a edição de nov/08 em que a reportagem de capa era "o fim da noite", a matéria é escrita por verlyn klinkenborg, e logo de cara ele cita um fato evolutivo crucial pra existência de tanta luz: "se os seres humanos se sentissem de fato à vontade sob a luz da lua e das estrelas, atravessaríamos contentes a escuridão com o mundo da meia-noite tão visível para nós quanto ele é para um vasto número de espécies noturnas". o fato é esse mesmo, evoluímos de bichos diurnos e acendemos luzes para nos sentir mais a vontade.

a preocupação com a poluição luminosa começou devido às observações astronômicas, mas atualmente percebemos que o buraco é bem mais embaixo. boa parte da iluminação não é aproveitada onde deveria, pois a luz vaza para cima e para os lados, onde a iluminação pública não é útil para pessoas, que estão andando num nível abaixo dos postes.

acho que todos conhecem o fato de insetos se aglomerarem em fontes de luz, voando em torno de lâmpadas e holofotes. os fatores específicos que explicam este comportamento errático é bem complexo, envolvendo diversos efeitos, mas basicamente o que ocorre é que muitos animais se orientam a noite pela luz da lua, mas a invenção da luz gerou uma infinidade de fontes de luz tão ou mais fortes que o luar, desorientando tais animais.
a maioria destes animais ficam voando até a exaustão, quando, então, caem e morrem.

aquilo que popularmente chamamos de relógio biológico (e tecnicamente por relógio/ciclo/ritmo circadiano), que é responsável por respostas fisiológicas e comportamentais de acordo com as diversas situações que o ambiente proporciona, é também responsável por diversos aspectos do funcionamento normal do corpo, como ciclo sono/vigília, ciclos hormonais, atividades neurais, oscilações térmicas e tantas outras periodicidades que ocorrem em nosso corpo ao longo das 24h diárias. a iluminação gera alterações relevantes no funcionamento adequado, podendo levar a distúrbios como os de sono e até aumentar tendências a cânceres.

alterações desses ciclos obviamente ocorrem nos outros animais que também sejam expostos à luz. um dos casos que mais bem ilustra a gravidade da iluminação na fauna é o das tartarugas. as fêmeas de tartarugas fazem a desova em praias escuras, nos quais os filhotes, assim que eclodem, podem se orientar pelo luar, indo em direção ao mar. em áreas urbanas litorâneas, a luz da cidade confunde o bicho, e a luz, que é o gatilho biológico da tartaruga recém-nascida, a faz rumar para a cidade, lá são expostas a diversos perigos, desde carros, pessoas desatentas, animais domésticos, predadores oportunistas, e a morte por exaustão.

outro exemplo bem interessante são dos vagalumes, que necessitam da bioluminescência para a reprodução. mas sendo a iluminação artificial mais clara que a bioluminescência, estes animais não conseguem se comunicar eficazmente, reduzindo consideravelmente suas populações, podendo levá-las a extinção.

adaptações simples que evitem o vazamento da luz são possíveis, talvez tornando a poluição a luminosa o tipo de poluição mais fácil de remediar. bastando um desenho que otimize a luz para baixo.
toronto, canadá

em cidades superedificadas, os prédios iluminados a noite se tornam verdadeiros labirintos de luz. grupos como o flap (fatal light awareness program), programa de alerta para a luz fatal em inglês, tentam conscientizar e minimizar ameaças a aves que o meio urbano propicia. o flap estima que apenas na américa do norte, pelo menos 100 milhões de aves morram todos os anos em colisões com edifícios.

av. paulista

se compararmos a cidade de são paulo com grandes cidades do hemisfério norte, provavelmente não teremos tantos prédios altos (um skyline grandioso de prédios altíssimos de mais de 50 ou mais andares), tão comuns naqueles cantos do mundo, e provavelmente o impacto aqui seja menor, mas nenhum estudo do tipo jamais foi executado por essas bandas, sendo uma lacuna bem interessante que provavelmente ainda ficará aberta por um bom tempo.

uma das coisas que urbanização traz consigo é a fauna sinúrbica, animais especializados e adaptados ao meio urbano. morcegos que se especilizam em predar insetos sob luzes públicas é uma delas. e quando isto é novidade em algum lugar, estes animais provavelmente substituam a fauna original, reduzindo e até eventualmente extinguindo uma espécie do local. este se torna mais um tipo de invasão biológica promovida pelo homem e todo progresso urbano que levamos conosco, é nocivo a tantas outras formas de vida nativas.

efeitos de pilares de luz, devido ao reflexo de luz artificial
em locais bem gelados, para mais fotos, clique aqui


dentre tantos fenômenos belos como os pilares de luz (como na foto acima) ou catastróficos como a morte de milhões de animais, uma coisa é certa, a luz artificial noturna, como qualquer outra coisa, deve ser utilizada com moderação, caso contrário, poderemos ser nós quem veremos e viveremos as piores consequências de se adequar o ambiente que vivemos ao nosso bel prazer (e conforto), alterando tantos ciclos (circadianos e ultradianos), em tantas espécies (não apenas animais), que por milhões de anos permaneceram iguais, e que aos poucos a cronobiologia desvenda.

links relacionados
- ecological consequences of artificial night lighting - ucla institute of the environment and the urban wildlands group
- network features of the mammalian circadian clock - julie e. baggs, tom s. price, luciano di tacchio, satchidananda panda, garret a. fitzgerald, john b. hogenesch - plos biology (2009)
- of owls, larks and alarm clocks - melissa lee phillips, nature (2009)

10 de março de 2009

a questão ambiental é no fundo uma questão social

quando houve o lançamento do livro charles darwin - em um futuro não tão distante, uma das pessoas que falou foi sérgio besserman vianna, economista da puc-rj. sua fala me intrigou muito, e assim que peguei o livro, comecei lendo o capítulo escrito por ele, intitulado darwin e a consciência no século xxi. é bastante interessante, pois sai do âmbito meramente biológico, passeando por psicanálise, economia e outras ditas ciências sociais, e uma das idéias defendidas por ele, e que concordo, é de que a questão ambiental é no fundo, ou talvez nem tão fundo assim, uma questão social. mas não uma mera questão social, mas uma questão social no nível específico! um problema como nunca antes enfrentamos.

devemos nos colocar em nosso lugar, nada de querer cuidar da natureza por que ela não sabe se defender. o enfoque que deveria ser dado no ambientalismo é totalmente outro: devemos cuidar da natureza, pois caso contrário, quem vai se dar mal somos nós, e nem sobreviveremos pra contar a história.
segue um trecho que escolhi de seu capítulo:

"ainda que, com o aumento do seu poder sobre a natureza, a humanidade tenha desenvolvido um ingênuo sentimento de onipotência, a verdade é que na escala de tempo adequada, que não é a das décadas da nossa existência, ou dos séculos e milênios de nossa história, ou mesmo das poucas centenas de milhares de anos do Homo sapiens, mas sim dezenas de milhões de anos, a nossa espécie Homo sapiens não tem capacidade de gerar um dano notável na natureza do planeta. no máximo, provocaríamos mais uma grande extinção, ao final da qual uma nova era, com uma nova biodiversidade, surgiria (calcula-se em cinco a dez milhões de anos o tempo de recuperação da natureza após cada uma das cinco grandes extinções). nós, certamente, não estaríamos aqui.
por essa razão, preocupar-se com o meio ambiente do planeta não é uma consciência que possa decorrer de uma postura paternalista, algo ridícula, em relação ao meio natural, mas, ao contrário, um reconhecimento da nossa impotência e dependência do planeta. o fundamento da consciência ecológica é o humanismo"

chumbo e comportamentos antissociais

a dentista kelly kaneshiro olympio, da faculdade de saúde pública da usp, demonstrou em sua pesquisa que comportamentos antissociais em adolescentes está associada a exposição a altos índices de chumbo.
através de um questionário e de amostras de esmalte dentário, foram relacionados comportamentos antissociais (queixas somáticas, problemas sociais, comportamento de quebrar regra) com concentrações de chumbo. altas concentrações de chumbo no esmalte dentário de adolescentes foram observadas em áreas contaminadas pelo chumbo ou até a 2km delas e também nos que conviveram com pessoas que trabalhavam/trabalham na fabricação de tintas, pigmentos, cerâmicas ou baterias, indicando que estes são fatores de risco para contaminação pelo chumbo.
se isso ocorre, é possível que níveis mais baixos causem comportamentos antissociais mais moderadamente? se sim, a poluição de são paulo poderia explicar uma pequena parte do temperamento de seus cidadãos.

via mente & cérebro

1 de março de 2009

braquicéfalos de estimação

a grande diferença entre a seleção natural e artificial é que o homem serve como mediador no segundo caso. na prática significa que a seleção ganha um propósito, ao contrário da seleção natural que ocorre sem propósito algum.
o homem seleciona características que lhe sejam úteis ou agradáveis, de acordo com sua necessidade e vontade. isso ocorre desde o surgimento da domesticação de plantas e animais, o que nos remete a pouco mais de 10 mil anos atrás, época em que surge a agricultura e o homem deixa de ser nômade.

a domesticação permitiu o homem escolher características a fim de melhorar algum aspecto que lhe fosse interessante, como a produtividade, resistência ou sabor de uma planta ou animal, o comportamento caçador de cães, e assim por diante. em outras palavras, é uma forma primitiva do que atualmente conhecemos como melhoramento genético.

só que o maior problema dessa técnica é que muitas vezes a escolha de determinada característica significa a expressão de uma outra que pode ou não ser desejável, isso porque, em última instância, quando escolhemos um gene, ele pode expressar mais de uma característica, e essas características "colaterais" podem muitas vezes ser indesejáveis.

recentemente conheci o caso da raça faiting goat, esta é uma raça de cabra que ao tomar um susto, fica paralisado e cai devido a uma miotonia congênita, ou seja, o animal apresenta uma desordem genética que causa a tonificação muscular. veja o vídeo abaixo, e perceba que é uma expressão comportamental bem tosca, porém bem ilustrativa.



mas nem sempre essas características "colaterias" são divertidas.
animais muito mais familiares sofrem com nossa intervenção em suas proles. falo de gatos e cães. algumas raças têm modificações estruturais tão grandes que se tornam muito feios, apesar de alguém que ler este post provavelmente discorde.
o gato persa por exemplo, é um gato feio que dói, parece que caiu de cara no chão e ficou amassado, mas ele nasce daquele jeito mesmo e muita gente ainda acha bonito.
pug, outro bicho feio com o focinho achatado

não bastando, ele não é apenas feio, mas sofre. sofre como algumas outras raças de cães e gatos que têm braquicefalia.
a braquicefalia é basicamente a fusão prematura de alguns ossos do crânio, fazendo com que as estruturas da cabeça fiquem apertadas no crânio - é como se o cérebro fosse maior que o crânio. a braquicefalia faz o animal respirar mal, pois apresenta as vias respiratórias mais estreitas, podendo causar até inflamações crônicas na faringe. este tipo de anomalia seria muito ruim até para seres humanos, imagine para um animal que tem o olfato como um dos principais sentidos!

há diversas doenças ou anomalias congênitas que selecionamos sem ao menos saber, e com a melhor das intenções, e a lista é gigante. para gatos, este link pode ilustrar a vastidão de mazelas que podemos causar neles.

enfim, o homem é capaz de selecionar qualquer característica mas ainda não tem total controle sobre a natureza neste aspecto, podendo mandar para frente características indesejáveis, apesar de cada vez mais rumar a raças e variedades ideais devido ao grande avanço tecnológico em pesquisas genéticas.

26 de fevereiro de 2009

bioindicando rastro antropogênico

os bioindicadores, como o nome sugere servem pra indicar a qualidade do ambiente através de manifestações que ocorrem nos seres vivos, essa técnica pode ser desenvolvida em qualquer ambiente desde que utilizada espécies apropriadas para o que se deseja. por exemplo, predadores de topo de cadeia são particularmente bons para indicar bioacúmulo.
a presença de certas espécies pode indicar boa ou má qualidade de determinado ambiente, pois indica que ali apresenta condições ótimas para sua presença.
isso nos permite avaliar as modificações que geralmente provêem do antropismo.

segundo um artigo da folha, o biólogo marcos césar de oliveira santos (o qual é professor da unesp de rio claro e que há alguns anos dava um mini-curso de cetáceos pelo io da usp) associou a manifestação de micose em botos no norte do paraná (que apresentam feridas de até 25 cm no dorso) à poluição do mar, que devido à proximidade com portos como o de santos (causadoras de poluição por óleo, águas de lastro contendo micróbios de origens longinquas), e da carcinicultura que ocorre por aquela região, manifesta em forma de feridas as consequências de uma água poluída.

ainda não se sabe a extensão e a gravidade deste problema, mas a falta de fiscalização por parte do ibama perpetua problemas como estes.
santos, que identificou este problema através de fotoidentificação, já havia publicado um trabalho anos antes indicando o potencial do boto como bioindicador, no qual encontrou acúmulo de ddt em camadas de gordura destes animais.

mas não é preciso nem sair de grandes centros urbanos pra ver potenciais bioindicadores de qualidade ambiental. na cidade é possível verificar níveis de poluição atmosférica utilizando animais que consideramos praga como roedores e pombos.
pode-se analisar níveis de acúmulo de substâncias como os metais pesados - provenientes principalmente de escapamentos de carros -, que é um alimento altamente tóxico para os predadores de roedores (isto inclui gatos domésticos) e de pombos (como aves de rapina), podendo até matá-los por intoxicação.
este problema de bioacúmulo também ocorre no controle químico inapropriado de populações de pragas, pois espécies não-alvo podem ser prejudicadas por envenenamento secundário, que é o que ocorre na prática quando um animal preda esses que acumulam substancias nocivas.

além de acumular metais pesados, nos roedores pelo menos, ocorrem modificações na formação de espermatozóides, que se apresentam em padrões bizarros. o espermatozóide normal de rato é como este aqui abaixo:

espermatozóides saudáveis de ratos - fonte

o espermatozóide saudável apresenta este gancho na ponta, mas as alterações podem chegar em níveis em que o gancho some, ou a cabeça do espermatozóide fica totalmente redonda ou triangular, além disso pode se transformar em uma célula sem forma, sem ao menos apresentar a cauda, ou mesmo com a cauda enrolada no corpo celular. um animal deste com certeza apresentaria dificuldades de se procriar, e se conseguir provavelmente tenha filhotes bastante alterados fisicamente.
a questão na verdade nem é tanto o efeito no potencial de reprodução, mas no risco genético que o ambiente apresenta direta (pelo contato com o ambiente) ou indiretamente (pela predação destes animais) e a partir disto, obviamente, podemos inferir que nós também sofremos tais alterações (pelo menos as diretas) em maior ou menor grau.

aliás, há várias doenças relacionadas à qualidade ambiental, sendo as mais comuns, doenças principalmente respiratórias, cardiovasculares e cânceres potencializadas pela poluição do ar, proveniente de veículos e indústrias.

desvairo visual da paulicéia num dia sem chuva - fonte

mais uma vez podemos inserir aquele discurso que sai do ambito do ecochato e passa a ser um alerta real de saúde pública para repensarmos nosso estilo de vida, utilizando mais racionalmente os meios de transporte, a fim de respirar menos fumaça e mais ar limpo (ou no caso de sampa, um ar menos sujo)


fontes consultadas:
- doença de boto revela poluição do mar, via ambiente brasil
- trabalhos de mauro cristaldi com estudo de roedores como bioindicadores de poluição urbana na itália

24 de fevereiro de 2009

nanotecnologia para diminuir o efeito estufa

saiu na new scientist que uma estrutura de nanotubos movida apenas a luz solar consegue converter uma mistura de dióxido de carbono e vapor d'água em gás natural em taxas sem precedentes.
segundo craig grimes, da universidade do estado da pennsylvania, cuja equipe inventou o aparato, esta é uma forma de captar dióxido de carbono da atmosfera e convertendo-o em combustível reduzindo os efeitos, no clima global, da emissão de combustíveis fósseis

outras tecnologias de conversão de CO2 em compostos químicos como metano já existem, mas necessitam de luz ultravioleta para que tais reações ocorram. e neste ponto é que reside a grande inovação da invenção do grupo de grimes, pois desenvolveram o método que utiliza a maior gama
de frequências visíveis do espectro da luz solar.

o uso de nanotubos de dióxido de titânio de 135 nm de largura x 40 mícrons de comprimento serve para aumentar a superfície de contato com a água. a reação que ocorre é a conversão de dióxido de carbono e água em metano e outros compostos orgânicos próximos como etano e propano em taxas de 160 nanolitros/h a cada grama de nanotubo. apesar de ainda apresentar resultados muito baixos para utilização prática, já é 20 vezes maior do que qualquer outro aparato anteriormente descrito.

se a reação for parada no meio, o mecanismo produz uma mistura de monóxido de carbono e hidrogênio, conhecido como syngas, que pode ser convertido em diesel.

este estudo parece ser um grande estímulo para que mais pesquisas relacionadas ao potencial de conversão de energia do dióxido de titânio seja desenvolvida, atingindo num futuro não tão distante uma aplicação comercial.
independentemente de CO2 ser causador ou não das mudanças climáticas, já seria uma ótima alternativa pra diminuir a poluição de grandes cidades como são paulo. enquanto essa tecnologia não fica disponível, ainda teremos que utilizar racionalmente as tecnologias poluentes.
trânsito paulistano: exemplo crasso de uso racional de tecnologias vigentes
via seed's daily zeitgeist

21 de fevereiro de 2009

uma meta para a resolução da crise climática


o fafá, do rnam, escreveu um post interessante sobre uma meta contra a crise climática (ou "aquecimento global" como a mídia nos ensinou a denominar este problema).

350, lembrem-se deste número.

a batalha contra o aquecimento global estava até há pouco tempo numa luta meio às cegas. as informações que se tinham era de que tinhamos que repensar em nosso sistema de produção atual, reduzindo as emissões de CO2.

segundo o ipcc, alguns fatos é que o clima está mudando e que o homem é responsável por isso, apesar de certas controvérsias quanto a última parte.
a solução, como a maioria dos problemas em sistemas biológicos, não é a eliminação total do problema, mas a redução do problema a níveis que sejam aceitáveis econômica, social, biológica, ou quaisquer parâmetros que sejam usados. é assim com pragas que causam danos à saúde pública ou à agricultura p.ex., e é assim com a crise climática.

350 partes por milhão é o limiar seguro para as emissões de dióxido de carbono, para que as alterações ambientais não sejam ainda mais destrutivas e irreversíveis. estamos acima deste nível, 385 para ser mais exato, e temos que reduzí-lo o quanto antes.

para mais info acesse 350.org