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21 de outubro de 2009

pela biodiversidade alimentar e cultural

ainda na pegada da questão alimentar...

o cultivo de determinado alimento está intrinscecamente ligado ao conhecimento agrícola de manejo deste produto. porém, atualmente o que vemos por aí é a homogeneização da diversidade local de variedades alimentares. quantos vegetais vêm a mente quando v. pensa em comida? provavelmente te ocorra alguns grãos como milho, trigo, arroz, feijão, umas dez a quinze frutas, mais algumas folhas, castanhas/nozes e só... e bem provavelmente, v. ingira menos de 50 variedades de plantas no seu dia a dia.
por todo o mundo, os produtos menos difundidos culturalmente acabam extinguindo por simples desinteresse comercial e portanto há uma homogeneização na alimentação em detrimento da diversidade cultural e biológica. em países megadiversos como o brasil, este cenário é ainda mais doloroso, pois a porcentagem de cultivares que perdemos é enorme, e isso é resultante de todo o processo tecnológico já discutido no post anterior, associado aos interesses comerciais.
os fitopatógenos que se expressam devido à perda de diversidade e alta densidade demográfica chegam a forçar a migração de cultivos inteiros. a banana maçã, por exemplo, não é cultivada no estado de são paulo pois aqui esta variedade é susceptível a um fungo que "empedra" a parte comestível da banana. essa cultura sofreu um processo de migração e hoje é plantada do espírito santo pra cima.
o mamão também sofreu esse processo, vítima de um vírus causador do mosaico nessa planta. disto surgem até soluções como o emprego formal de mosaiqueiros, que são pessoas especializadas a identificar indivíduos afetados por este patógeno e são autorizados a cortar e queimar para que se evite a propagação da doença.
ambos cultivares são importados de outros estados, um dos motivos pelo qual o alimento está cada vez mais caro em são paulo.

nesse cenário, uma iniciativa que me chama a atenção, seja pelo aspecto biológico como gastronômico-comercial é a da fundação slow food para a biodiversidade (link para o site brasileiro e internacional).

esta é uma organização que
Foi fundada em 1989 como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo.
 dentro desta fundação há o projeto arca do gosto:
A Arca do Gosto é um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais. O objetivo é documentar produtos gastronômicos especiais, que estão em risco de desaparecer. Desde o início da iniciativa em 1996, mais de 750 produtos de dezenas de países foram integrados à Arca. Este catálogo constitui um recurso para todos os interessados em recuperar raças autóctones e aprender a verdadeira riqueza de alimentos que a terra oferece.
a iniciativa mantém alguns alimentos (incorporados à cultura brasileira ou nativos) a salvo da extinção.
a arca ainda contém apenas 9 cultivares diferentes na versão tupiniquim, mas se mostra uma iniciativa notável muito boa para a agrobiodiversidade e para nossos estômagos.


arroz do pantanal, o próximo candidato à arca. foto

texto inspirado pelo blógue come-se

31 de julho de 2009

vacina do cão

em minha opinião pessoal, o cão é um dos sinantrópicos mais notáveis.
como dono de duas cadelas, sou a favor da posse responsável de animais, prezando o bem-estar físico e psicológico deles.
para isto, uma das vacinas periódicas essenciais é a anti-rábica.
pra ter bastante adeptos, a campanha de vacinação da prefeitura de são paulo aproveita a antiga crendice de que o mês de agosto é o mês do cachorro louco. então a época de vacinação já está aí. ela ocorre no período de 03 a 16 de agosto.

se não vacinar, o bicho morde
foto tirada de worms and germs blog


v. pode levar seu gato ou cão para tomar esta vacina consultando a lista completa dos postos de vacinação (em pdf), que mesmo não sendo de fácil consulta, é útil. para mais informações e recomendações, consulte o site da COVISA(Coordenação de Vigilância em Saúde) ou ligue 156.

se não me engano, no tratado de animais silvestres, os autores dizem que a raiva é transmissível, e uma vez que ele começa a se desenvolver no hospedeiro mamífero, se torna incurável e (virtualmente)100% letal.

é bom lembrar que no ambiente urbano, as aglomerações populacionais apenas aumentam as possibilidades de contágio, por isso vacine seu cão. é uma questão não apenas de gostar dele, mas de saúde pública.

se v. ainda não tem seu cão, adote.

7 de junho de 2009

viveiros municipais de são paulo

o dia do meio ambiente já foi, mas no brasil-sil-sil ainda temos a semana do meio ambiente. então vale a pena a dica aqui.
eu vi isso ontem no sptv, com uma reportagem sensacionalista. (sim! por incrível que pareça conseguiram um quê de sensacionalismo até numa simples reportagem sobre a doação de mudas pelos viveiros municipais nesta semana, praticamente dizendo que as árvores estão destruindo a cidade! hehehe) mas vamos aproveitar algumas informações relevantes.

quando for plantar uma árvore é bom saber como ela cresce para que não traga prejuízos como a elevação de calçadas ou crescer além de fiações elétricas. o paisagismo deve ser parte do planejamento urbano, mas como a cidade é porcamente planejada, é de se esperar que o aspecto paisagístico também o seja.
viveiro municipal manequinho lopes, no ibirapuera - fonte

além desta, outra informação interessante deixada pela reportagem é de que estão disponíveis nos viveiros municipais, mudas para doação, pelo menos nesta semana. não sei se sempre doam ou se apenas o estão fazendo por ser a semana do meio ambiente.

lembre-se, meio-ambiente não é só a grande massa verde que é promovida por aí, mas também muitas outras coisas que estão interrelacionadas com ela.

8 de março de 2009

campanha antibiopirataria

muitas vezes turistas que vão a lugares diferentes querem trazer souvenirs dos locais que visitam, e, por ignorância ou ambição, trazem espécimes diversos de animais, plantas, microorganismos... essas pessoas são biopiratas, e podem dar origem a catástrofes ecológicas, causando a invasão biológica moderna mais comum: aquela mediada pelo homem.

a invasão biológica é caracterizada pela entrada de um organismo exótico - (por exótico entende-se um organismo que não é originário de um determinado local, o oposto de exótico é nativo). organismos exóticos são muitas vezes capazes de dominar um novo ambiente, principalmente pela ausência de predadores específicos, a partir disto, toma nicho de animais nativos, podendo levá-los a extinções.
para se ter idéia, a invasão biológica é uma das principais causas de extinção de espécies no planeta, juntamente com perda de hábitat, dentre outros.

para reduzir alguns desses aspectos, muitas ongs fazem campanhas para conscientizar as pessoas de que não devem fazer isso, geralmente mostrando alguma faceta realmente desagradável. mas algumas vezes eles acertam e mandam muito bem na publicidade e criatividade.

segue abaixo o vídeo do international fund for animal welfare, de campanha contra a tomada de animais como souvenirs.



"se eles quisessem vir, eles viriam"

via p.o.v.

24 de fevereiro de 2009

nanotecnologia para diminuir o efeito estufa

saiu na new scientist que uma estrutura de nanotubos movida apenas a luz solar consegue converter uma mistura de dióxido de carbono e vapor d'água em gás natural em taxas sem precedentes.
segundo craig grimes, da universidade do estado da pennsylvania, cuja equipe inventou o aparato, esta é uma forma de captar dióxido de carbono da atmosfera e convertendo-o em combustível reduzindo os efeitos, no clima global, da emissão de combustíveis fósseis

outras tecnologias de conversão de CO2 em compostos químicos como metano já existem, mas necessitam de luz ultravioleta para que tais reações ocorram. e neste ponto é que reside a grande inovação da invenção do grupo de grimes, pois desenvolveram o método que utiliza a maior gama
de frequências visíveis do espectro da luz solar.

o uso de nanotubos de dióxido de titânio de 135 nm de largura x 40 mícrons de comprimento serve para aumentar a superfície de contato com a água. a reação que ocorre é a conversão de dióxido de carbono e água em metano e outros compostos orgânicos próximos como etano e propano em taxas de 160 nanolitros/h a cada grama de nanotubo. apesar de ainda apresentar resultados muito baixos para utilização prática, já é 20 vezes maior do que qualquer outro aparato anteriormente descrito.

se a reação for parada no meio, o mecanismo produz uma mistura de monóxido de carbono e hidrogênio, conhecido como syngas, que pode ser convertido em diesel.

este estudo parece ser um grande estímulo para que mais pesquisas relacionadas ao potencial de conversão de energia do dióxido de titânio seja desenvolvida, atingindo num futuro não tão distante uma aplicação comercial.
independentemente de CO2 ser causador ou não das mudanças climáticas, já seria uma ótima alternativa pra diminuir a poluição de grandes cidades como são paulo. enquanto essa tecnologia não fica disponível, ainda teremos que utilizar racionalmente as tecnologias poluentes.
trânsito paulistano: exemplo crasso de uso racional de tecnologias vigentes
via seed's daily zeitgeist

21 de fevereiro de 2009

uma meta para a resolução da crise climática


o fafá, do rnam, escreveu um post interessante sobre uma meta contra a crise climática (ou "aquecimento global" – como a mídia nos ensinou a denominar este problema).

350, lembrem-se deste número.

a batalha contra o aquecimento global estava até há pouco tempo numa luta meio às cegas. as informações que se tinham era de que tinhamos que repensar em nosso sistema de produção atual, reduzindo as emissões de CO2.

segundo o ipcc, alguns fatos é que o clima está mudando e que o homem é responsável por isso, apesar de certas controvérsias quanto a última parte.
a solução, como a maioria dos problemas em sistemas biológicos, não é a eliminação total do problema, mas a redução do problema a níveis que sejam aceitáveis econômica, social, biológica, ou quaisquer parâmetros que sejam usados. é assim com pragas que causam danos à saúde pública ou à agricultura p.ex., e é assim com a crise climática.

350 partes por milhão é o limiar seguro para as emissões de dióxido de carbono, para que as alterações ambientais não sejam ainda mais destrutivas e irreversíveis. estamos acima deste nível, 385 para ser mais exato, e temos que reduzí-lo o quanto antes.

para mais info acesse 350.org

28 de dezembro de 2008

no planeta que se chama terra, quando obviamente é oceano...

... boas notícias das águas do planeta.

este ano, a baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) foi recategorizada - pela iucn - e agora é considerada espécie de preocupação menor (least concern) , sendo que antes estava na categoria de espécie vulnerável (vulnerable).
nem por isso podemos deixar de nos preocupar. como o termo sugere, a preocupação é menor, mas ainda sim uma preocupação.

fonte