22.4.15

Ciência, Sociedade e a CTNBio

A CTNBio, como órgão do Estado brasileiro, não está descuidando de suas responsabilidades mais fundamentais, em termos da análise de risco? Podemos mesmo ficar  tranquilos com o fato de que todos os estudos prévios, insuficientes no escopo e realizados em canteiros e laboratórios, não estejam sendo monitorados a campo, após a liberação comercial, quando aquelas plantas já ocupam milhões de hectares e os efeitos de escala trazem novos riscos?

Por Leonardo Melgarejo* e José Maria Guzman Ferraz*
Em 8 de abril a Folha de São Paulo publicou artigo surpreendente, assinado por W.Colli, H.Nader e J.Pallis Jr, onde os autores articulam interpretações sobre o papel da ciência e da sociedade, em defesa de uma CTNBio por eles idealizada.

Aqueles argumentos poderiam ser desmontados um a um, e propomos que isso ocorra em debate público, na SBPC ou na ABC, veiculado online para apreciação da sociedade. A simples hipótese de que “todos os pareceres são lidos em plenária” oculta o fato de que os processos em si são lidos por poucos.

Os membros, que votam, escutam relatos/pareceres onde, sistematicamente, argumentos contrários ao desejo das empresas são interrompidos em plena leitura. Isto garante a exclusão de perspectivas que deveriam auxiliar na decisão daqueles que não tiveram acesso aos processos. A  maioria perde, assim, a oportunidade de rever ou consolidar julgamentos levando em conta estudos independentes e abordagens omitidas nos documentos preparados pelas empresas.

Isto é relevante porque aqueles documentos incorporam desde desrespeito a normas da CTNBio até  descaso a compromissos internacionais, passando por mistificações estatísticas e desprezo a estudos atualizados como tentam mostrar os pareceres contrários, aqueles que não conseguem ser lidos.

Talvez isto não ocorra no interesse das empresas, mas seguramente contribui para tanto.
Este e outros fatos têm motivado ações do Ministério Público Federal contra membros da CTNBio.  Recomendamos que a SBPC e a ABC examinem os documentos incorporados àquelas ações, que referem apoios, prêmios recebidos e até análises realizadas por membros da CTNBio, como possíveis  indícios de associação entre alguns daqueles avaliadores e os interesses de determinadas empresas.

Convidamos as categorias profissionais representadas na CTNBio a avaliar o comportamento de seus afiliados, naquela Comissão. Que conselhos de ética se debrucem sobre pareceres apresentados por agrônomos, biólogos, geneticistas, farmacêuticos, etc. Perceberão que em grande parte dos casos não são criticados nem aportados elementos adicionais aos pontos elencados  pelas empresas, quando do julgamento de suas premissas. Que os conselhos de ética avaliem a possibilidade concreta de que, neste campo de risco, as empresas jamais errem, ou sequer exagerem em suas afirmativas e pretensões.

A CTNBio, como órgão do Estado brasileiro, não está descuidando de suas responsabilidades mais fundamentais, em termos da análise de risco? Podemos mesmo ficar  tranquilos com o fato de que todos os estudos prévios, insuficientes no escopo e realizados em canteiros e laboratórios, não estejam sendo monitorados a campo, após a liberação comercial, quando aquelas plantas já ocupam milhões de hectares e os efeitos de escala trazem novos riscos? Podemos ficar tranquilos com estudos nutricionais que não utilizam os produtos colhidos naquelas lavouras, mas sim grãos plantados apenas para os testes, produzidos sem o uso dos venenos aplicados no mundo real?
Respeitar esta CTNBio, desprezando estes detalhes, equivaleria mesmo a respeitar a ciência?

Entendemos que não. A Ciência exige apreciação de informações atualizadas, completas, incorporando aquelas que se contradizem. Como aceitar que a CTNBio segue o princípio da precaução se, diante de dúvidas internacionais sobre o tema, aprova inexoravelmente todos os pedidos de liberação comercial que a ela chegam?

Com base em centenas de publicações referendadas por revistas especializadas de renome internacional, a ciência avisa: não é possível afirmar que estas plantas são seguras para a saúde e o ambiente. Nesta condição, surpreende que ações na direção oposta possam ser apoiadas pelos presidentes da ABC e da SBPC, como se correspondessem ao pensamento das sociedades que representam.

*Agronômos, pesquisadores e ex-membros da Comissão de Biotecnologia- CTNBIO,  do Ministerio de Ciência e Tecnologia.  E atualmente na coordenaçao do grupo GT Agrotoxicos e Transgenicos da Associação Brasileira de Agroecologia.

texto publicado originalmente n'O Brasil de Fato

19.4.15

O Absurdo da Agricultura

Assim como na agricultura, precisamos trazer a pecuária ao nível familiar, de menor escala, pequenas produções para todos.

Enquanto agricultores estiverem marginalizados, estaremos continuando este genocídio cultural.
No artigo 'O Absurdo da Agricultura', José Lutzenberger lembra que isso esteve subjacente ao processo de escravização dos africanos, que já estavam sociocultural e politicamente desest
ruturados.

Isso é tão dramático que por exemplo assentados no estado de São Paulo já não tem mais tradição e conhecimento agrícola, sendo um enorme agravante da questão agrária.
Deixamos de saber como se produz as coisas e como trabalha uma série de ingredientes.

A extinção cultural e de agrobiodiversidade tb é pra sempre.


Leia abaixo trecho de O Absurdo da Agricultura, de José A. Lutzenberger (2001).
Grifos meus.

[A marginalização de tais pessoas é a continuação de um dos maiores desastres dos tempos modernos. Ao chegar às favelas das cidades terão de comprar comida cultivada em monoculturas que são menos produtivas do que as delas. Em última análise, existe menos comida e mais pessoas para alimentar. Existe excesso em alguns lugares e escassez noutros. Freqüentemente a terra é tomada por criadores de gado que raramente produzem mais do que 50 kg de carne por hectare ao ano. Centenas de histórias similares poderiam ser contadas. Acima de todas as calamidades pessoais, quando a terra perde seus camponeses, temos genocídio cultural!

No caso da criação em massa de animais para carne e ovos, os métodos são absolutamente destrutivos: muito mais alimento para humanos é destruído do que produzido. As galinhas em seus tristes campos de concentração ou fábricas de ovos, eufemisticamente chamadas de "granjas", são alimentadas com rações "cientificamente equilibradas", consistindo em grãos de cereais, soja, torta de óleo de palma ou de mandioca, muitas vezes com farinha de peixe.

Conhecemos casos no Brasil nos quais sua ração contém leite em pó, proveniente do Mercado Comum Europeu! Isto coloca essas aves então numa posição de competição com os humanos: nós as alimentamos com nossas lavouras. Um absurdo total se o propósito é contribuir para resolver o problema da fome mundial. Na agricultura tradicional as galinhas comiam insetos, minhocas, esterco, ervas, capim e restos de cozinha e de colheita, desta maneira aumentando a capacidade de sustento das terras dos agricultores para humanos. Agora elas a diminuem.

Nestes esquemas, o coeficiente de transformação da ração em alimento humano é próxima de 20 para 1. É preciso levar em conta que metade do peso dos animais vivos (penas, ossos, intestinos) não é consumida por nós. Também é preciso considerar que as rações desidratadas e concentradas têm um alto consumo de energia, atingindo o máximo de 12% de água, enquanto a carne contém até 80%. Nos galpões de engorda, as operações mais eficientes usam em torno de 2,2 kg de ração para obter 1 kg de peso vivo, metade da qual é alimento humano. Então, 2,2 para 1 se torna 4,4 para 1. Corrigindo-se o conteúdo de água, 4,4 vezes 0,88 e 1 vezes 0,2 obtém-se 3,87 para 0,2, igual a 19,36 para 1. Quando se trata de gado bovino confinado, como nos feed lots de Chicago, a relação é cerca de cinco vezes maior.

Mais recentemente, algumas de nossas granjas "aperfeiçoaram" ainda mais este coeficiente, incluindo na ração rejeitos de galinhas abatidas, desta maneira forçando-as ao canibalismo!

Outro aspecto absurdo diz respeito às rações "cientificamente equilibradas" que não contêm nada verde, o mesmo acontecendo com as dos porcos. As galinhas e os porcos são vorazes consumidores de ervas, gramíneas, frutos, nozes e raízes. Em nossos experimentos com agricultura sustentável na Fundação Gaia também os alimentamos com plantas aquáticas, com grande sucesso - animais saudáveis, sem antibióticos, sem drogas, sem veterinários.

Além disso, nos "campos de concentração" de galinhas e fábricas de ovos, assim como nos modernos "calabouços" de porcos, as pobres criaturas vivem sob condições de extremo estresse.

É tempo de acabar com a mentira de que apenas a agricultura promovida pela tecnologia pode salvar a humanidade da inanição. O oposto é verdadeiro. É preciso uma nova forma de balanço econômico que, à medida que soma o que é chamado "produtividade" ou "progresso" na agricultura, também deduza todos os custos: as calamidades humanas, a devastação ambiental, a perda da diversidade biológica na paisagem circundante e, ainda, a mais tremenda perda, a biodiversidade em nossos cultivares.

Este segundo aspecto será agora enormemente agravado com a biotecnologia dominada pelas grandes empresas, como veremos adiante. E, mais importante e decisivo: a não-sustentabilidade disso tudo. Temos o direito de agir como se fôssemos a última geração?

No caso de operações industriais envolvendo galinhas é fácil ver como tais métodos destrutivos se desenvolveram. Estou falando do que observei no Sul do Brasil - o Brasil é um grande exportador de carne de galinha, principalmente para o Oriente Médio e o Japão.

A partir de esquemas muito simples, nos quais pequenos empresários individuais confinavam galinhas num galpão e as alimentavam com milho, o sistema coalesceu e cresceu até um ponto em que, atualmente, existem em torno de meia dúzia de companhias muito grandes e umas poucas pequenas. Os grandes abatedouros processam até centenas de milhares de galinhas por dia; operam de acordo com regras impostas por eles, chamadas "integração vertical". O "produtor" assina um contrato, comprometendo-se a comprar todos os seus insumos - pintinhos, ração e drogas - do abatedouro. Mesmo que ele seja agricultor e tenha uma grande produção de grãos, está proibido de usá-la para alimentar suas galinhas. É obrigado a comprar a ração pronta, mas pode vender o seu milho para a fábrica de ração que pertence à mesma companhia proprietária do abatedouro e da incubadeira que produz os pintos. Estes operam um tipo diferente de "campo de concentração" de galinhas, onde os prisioneiros são galos e poedeiras, havendo um galo para cada dez galinhas. As galinhas não ficam em pequenas gaiolas, como nas fábricas de ovos, elas podem se mover livremente dentro do galpão e pular para dentro de amplos ninhos para pôr os ovos.

Nas operações de esteiras rolantes das fábricas de ovos, chamadas baterias, as pobres poedeiras estão confinadas, três em cada gaiola, sobre uma grade de arame, onde os ovos rolam para fora. Os pintos produzidos nestas incubadeiras não são mais de raças tradicionais de galináceos: são de marcas registradas e híbridos. Assim como o milho híbrido, eles não podem ser reproduzidos com manutenção de características raciais.

Após comprar todos os seus insumos da companhia com a qual assumiu contrato, o camponês é obrigado a vender somente para a mesma (sic). Ele não é autorizado a vender para empresas concorrentes, pois estas não comprariam sua produção. Assim, ele pode ter a ilusão de ser um pequeno empresário autônomo, mas sua situação real é a de um operário com horas de trabalho ilimitadas, sem fins-de-semana, feriados, nem férias e ainda tem que pagar sua própria previdência social.

Se a grande companhia trabalhasse com empregados de carteira assinada, ela não seria tão lucrativa: sairia muito caro e correria riscos. Desta maneira, deixam todos os riscos com o produtor: perda por doenças ou custos adicionais com drogas e antibióticos, choque de calor - um desastre comum durante os dias quentes de verão, quando centenas ou milhares de galinhas morrem nos abarrotados e mal ventilados galpões - e perdas durante o transporte. As galinhas que morrem nos caminhões da companhia no trajeto até o abatedouro são também descontadas.
 
Os lucros do produtor também diminuem constantemente com o crescente preço dos insumos e a queda do faturamento com as vendas. A margem do produtor é muito pequena, mesmo se tudo correr bem. Mas, se for preciso alimentar os animais durante mais alguns dias, o lucro pode evaporar ou até mesmo se transformar em perda. Esta é uma ocorrência comum. O abatedouro agenda suas viagens de entrega de galinhas prontas de acordo com sua própria conveniência. Mas se a companhia obtém lucros excepcionais no mercado de exportação, nada vai para o produtor?...
Portanto, os "campos de concentração" de galinhas nada têm a ver com maior produtividade para ajudar a salvar a Humanidade de inanição - de fato, eles contribuem para o problema - mas concentram capital e poder pela criação de dependência.]

 

16.4.15

CTNBio e suas brechas contra o bem-estar social

Melgarejo e Nodari são dois dos poucos membros da CTNBio que prezam pela precaução, frente a informações sobre os riscos potenciais dos organismos geneticamente modificados (OGMs).

Dr. Melgarejo, membro do Ministério do Desenvolvimento Agrário, rebatendo comentários de lobistas da indústria transgênica na audiência pública do MPF sobre as sementes resistentes ao agrotóxico 2,4D da Dow Agrosciences de 12/2013. No final do video, o Dr. Nodari, membro da CTNBio, comenta sobre a farsa da CTNBio e dos membros daquele orgão ligado a Monsanto.
Posted by Brasil sem Monsanto on Sábado, 11 de abril de 2015

O vídeo foi na ocasião da audiência pública sobre a liberação de OGMs resistentes ao 2,4D.
Recentemente o Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade (GEA), do NEAD (Núcleo de Estudos em Agricultura e Desenvolvimento) do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) protocolou na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) um dossiê sobre os perigos dessa liberação. (leia mais no site da AS-PTA)

As denúncias sobre o funcionamento desta Comissão me faz remeter a nota de repúdio do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos, coordenado pelo Ministério Público. O documento está disponível no site do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA).

15.4.15

Instituto Nacional do Câncer se posiciona contra agrotóxicos e transgênicos

O INCA (Instituto Nacional do Câncer) finalmente se posicionou publicamente a respeito do uso de agrotóxicos e sua relação com o desenvolvimento de câncer.
Importante ressaltar que o Brasil se tornar o maior consumidor de agrotóxicos está diretamente ligado a grande produção de transgênicos, que apesar da falsa propaganda, apenas intensifica o uso desses produtos.

O posicionamento do INCA vem depois do IARC, instituto de pesquisa sobre o câncer da Organização Mundial da Saúde ter publicado um estudo apontando os riscos do glifosato e outros agrotóxicos. Posicionamento este que gerou furor da Monsanto, que exigiu retratação do estudo (como estão habituados a coibir outros estudos que vão contra seus interesses) e na negativa dessa começou a se articular pra tentar 'desconstruir' esses dados.

Leia o documento do INCA na íntegra abaixo. Grifos e links meus.
O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), órgão do Ministério da Saúde, tem como missão apoiar este Ministério no desenvolvimento de ações integradas para prevenção e controle do câncer. Entre elas, estão incluídas pesquisas sobre os potenciais efeitos mutagênicos e carcinogênicos de substâncias e produtos utilizados pela população, bem como as atividades de comunicação e mobilização para seu controle, em parceria com outras instituições e representantes da sociedade.
O INCA, ao longo dos últimos anos, tem apoiado e participado de diferentes movimentos e ações de enfrentamento aos agrotóxicos, tais como a CampanhaPermanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o Fórum Estadual de Combate aosImpactos dos Agrotóxicos do Estado do Rio de Janeiro, o Dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) “Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicosna saúde”, a Mesa de Controvérsias sobre Agrotóxicos do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – Consea e os documentários “O Veneno Está naMesa 1 e 2”, de Silvio Tendler.
Além disso, junto com outros setores do Ministério da Saúde, incluiu o tema “agrotóxicos” no Plano de Ações Estratégicas de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis no Brasil (2011-2022). Em 2012, a Unidade Técnica de Exposição Ocupacional, Ambiental e Câncer e a Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do INCA organizaram o “I Seminário Agrotóxico e Câncer”, em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esse evento reuniu profissionais da área da saúde, pesquisadores, agricultores e consumidores para debater os riscos à saúde humana decorrentes da exposição aos agrotóxicos, particularmente sua relação com determinados tipos de câncer. E em 2013, em conjunto com a Fiocruz e a Abrasco, assinou uma nota alertando sobre os perigos do mercado de agrotóxicos.
Nesta perspectiva, o objetivo deste documento é demarcar o posicionamento do INCA contra as atuais práticas de uso de agrotóxicos no Brasil e ressaltar seus riscos à saúde, em especial nas causas do câncer. Dessa forma, espera-se fortalecer iniciativas de regulação e controle destas substâncias, além de incentivar alternativas agroecológicas aqui apontadas como solução ao modelo agrícola dominante.
Os agrotóxicos são produtos químicos sintéticos usados para matar insetos ou plantas no ambiente rural e urbano. No Brasil, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões para mais de US$7 bilhões entre 2001 e 2008, alcançando valores recordes de US$ 8,5 bilhões em . Assim, já em 2009, alcançamos a indesejável posição de maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante .
É importante destacar que a liberação do uso de sementes transgênicas no Brasil foi uma das responsáveis por colocar o país no primeiro lugar do ranking de consumo de agrotóxicos, uma vez que o cultivo dessas sementes geneticamente modificadas exigem o uso de grandes quantidades destes produtos.
O modelo de cultivo com o intensivo uso de agrotóxicos gera grandes malefícios, como poluição ambiental e intoxicação de trabalhadores e da população em geral. As intoxicações agudas por agrotóxicos são as mais conhecidas e afetam, principalmente, as pessoas expostas em seu ambiente de trabalho (exposição ocupacional). São caracterizadas por efeitos como irritação da pele e olhos, coceira, cólicas, vômitos, diarreias, espasmos, dificuldades respiratórias, convulsões e morte. Já as intoxicações crônicas podem afetar toda a população, pois são decorrentes da exposição múltipla aos agrotóxicos, isto é, da presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos e no ambiente, geralmente em doses baixas. Os efeitos adversos decorrentes da exposição crônica aos agrotóxicos podem aparecer muito tempo após a exposição, dificultando a correlação com o agente. Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos podem ser citados infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer.
Os últimos resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos (PARA) da Anvisa revelaram amostras com resíduos de agrotóxicos em quantidades acima do limite máximo permitido e com a presença de substâncias químicas não autorizadas para o alimento pesquisado. Além disso, também constataram a existência de agrotóxicos em processo de banimento pela Anvisa ou que nunca tiveram registro no Brasil.
Vale ressaltar que a presença de resíduos de agrotóxicos não ocorre apenas em alimentos in natura, mas também em muitos produtos alimentícios processados pela indústria, como biscoitos, salgadinhos, pães, cereais matinais, lasanhas, pizzas e outros que têm como ingredientes o trigo, o milho e a soja, por exemplo.

Ainda podem estar presentes nas carnes e leites de animais que se alimentam de ração com traços de agrotóxicos, devido ao processo de bioacumulação. Portanto, a preocupação com os agrotóxicos não pode significar a redução do consumo de frutas, legumes e verduras, que são alimentos fundamentais em uma alimentação saudável e de grande importância na prevenção do câncer. O foco essencial está no combate ao uso dos agrotóxicos, que contamina todas as fontes de recursos vitais, incluindo alimentos, solos, águas, leite materno e ar. Ademais, modos de cultivo livres do uso de agrotóxicos produzem frutas, legumes, verduras e leguminosas, como os feijões, com maior potencial anticancerígeno.
Outras questões merecem destaque devido ao grande impacto que representam. Uma delas é o fato do Brasil ainda realizar pulverizações aéreas de agrotóxicos, que ocasionam dispersão destas substâncias pelo ambiente, contaminando amplas áreas e atingindo populações. A outra é a isenção de impostos que o país continua a conceder à indústria produtora de agrotóxicos, um grande incentivo ao seu fortalecimento, que vai na contramão das medidas protetoras aqui recomendadas. E ainda, o fato de o Brasil permitir o uso de agrotóxicos já proibidos em outros países.

Ressalta-se que em março de 2015 a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) publicou a Monografia da IARC volume 112, na qual, após a avaliação da carcinogenicidade de cinco ingredientes ativos de agrotóxicos por uma equipe de pesquisadores de 11 países, incluindo o Brasil, classificou o herbicida glifosato e os inseticidas malationa e diazinona como prováveis agentes carcinogênicos para humanos (Grupo 2A) e os inseticidas tetraclorvinfós e parationa como possíveis agentes carcinogênicos para humanos
(Grupo 2B). Destaca-se que a malationa e a diazinona e o glifosato são autorizados e amplamente usados no Brasil, como inseticidas em campanhas de saúde pública para o controle de vetores e na agricultura, respectivamente.

Além dos efeitos tóxicos evidentes descritos na literatura científica nacional e internacional, as ações para o enfrentamento do uso dos agrotóxicos têm como base o Direito Humano à Alimentação Adequada
DHAA (previsto nos artigos 6o e 227o da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), a Política Nacional deSegurança Alimentar e Nutricional (Decreto no7.272, de 25/08/2010), a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta - PNSIPCF(Portaria no 2.866 de 02/12/2011), a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Portaria no 1.823, de 23/08/2012) e a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica - PNAPO (Decreto no 7.794, de 20/08/2012).
Considerando o atual cenário brasileiro, os estudos científicos desenvolvidos até o presente momento e os marcos políticos existentes para o enfrentamento do uso dos agrotóxicos, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) recomenda o uso do Princípio da Precaução e o estabelecimento de ações que visem à redução progressiva e sustentada do uso de agrotóxicos, como previsto no ProgramaNacional para Redução do uso de Agrotóxicos (Pronara).
Em substituição ao modelo dominante, o INCA apoia a produção de base agroecológica em acordo com a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Este modelo otimiza a integração entre capacidade produtiva, uso e conservação da biodiversidade e dos demais recursos naturais essenciais à vida. Além de ser uma alternativa para a produção de alimentos livres de agrotóxicos, tem como base o equilíbrio ecológico, a eficiência econômica e a justiça social, fortalecendo agricultores e protegendo o meio ambiente e a sociedade.
A elaboração e a divulgação deste documento têm como objetivo contribuir para o papel do INCA de produzir e disseminar conhecimento que auxilie na redução da incidência e mortalidade por câncer no Brasil.

27.1.15

cantareira (ou tamanduateí)

O atual Mercado Municipal de São Paulo, vulgo 'Mercadão', comemorou 82 anos no último aniversário, em 25 de janeiro.
Também conhecido como Mercado Cantareira, situa-se em rua homônima.
Bem propícia esse nome num momento de crise hídrica beirando o colapso, na qual o governo toma iniciativas desesperadas que só pioram ainda mais a situação.


(Vivemos uma falta de SOBERANIA HÍDRICA, ao mesmo tempo que falta GOVERNANÇA.)


O mercado fica atualmente à beira do Rio Tamanduateí. tamandûá-eté-y, do tupi, significa rio dos tamanduás verdadeiros. São o tamanduás-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), que chegavam lá pra comer as formigas, que comiam os peixes que morriam seco, na estiagem.
Esse lugar tinha tanto tamanduá que mereceu esse nome.

'Floresta virgem do Brasil' (1822), de Claude-François Fortier

A Mata Atlântica já ocupou quase todo o território que hoje está a paulicéia.
[Era entremeado por trechos de Cerrado (bioma quase extinto aqui)]

Vale a pena ver o doc 'entre rios' pra entender a relação de sampa com os rios.





7.1.15

cisterna já


o conteúdo abaixo foi originalmente publicado no artigo Cisterna Já do site wikiversity

Cisterna Já


Cisterna Já
O Movimento Cisterna Já é uma iniciativa independente de cidadãos preocupados em aumentar a resiliência urbana diante da crise da água. Como as soluções centralizadas serão incapazes de atender toda a população no provável cenário de emergência que ocorrerá devido ao desabastecimento, essa página tem o objetivo de promover a capacitação para a captação e aproveitamento de água de chuva.
É importante saber que a água da chuva deve se destinar apenas aos usos não potáveis -- como descarga sanitária, faxina e regar plantas, por exemplo -- e pode suprir até 50% do consumo de uma residência.

Manual de instalação

Existem sistemas de captação de água de chuva muito simples e de baixo custo, como esse, desenvolvido por Edison Urbano.
Aqui o vídeo onde ele ensina passo-a-passo como se faz a minicisterna [1]
Aqui o manual lhttp://www.sempresustentavel.com.br/hidrica/minicisterna/minicisterna.htm
Minicisterna-esquema.jpg

Oficinas, cursos e mutirões

20 e 21 de dezembro, das 9h às 17h - Curso de aproveitamento da água de chuva com a tecnologia da minicisterna, ministrado por Edison Urbano. Local: CEU Butantã (Rua Enio Chiesa, 75). Inscrição R$ 100. Contato: permaculturaurbana.sp@gmail.com. Mais informações: Permacultores Urbanos [2]
Em breve os cursos de 2015.

Coleta de água de chuva

Onde encontrar bombonas em São Paulo

  • Bombonas reutilizadas – Azeitonas e óleos vegetais costumam ser transportados em grandes bombonas antes de receberem a embalagem que vai para o consumidor final. E os rpientes muitas vezes são descartados. Você pode construir sua cisterna usando essas bombonas, mas é preciso se certificar de que transportaram alimentos e não produtos contaminantes. As melhores são azuis, pois só estas bloqueiam toda a luminosidade externa. O tamanho ideal é a partir de 200 litros. Procure sucateiros de bombona, mercados municipais, supermercados atacadistas, bancas de feiras livres que vendem azeitonas e casas de frios que ainda resistem nos bairros. Os preços podem variar muito, de R$ 5 até quase R$ 100, mas na média estão entre R$ 10,00 e R$ 30,00. É possível até ganhar o reservatório do comerciante.
  • Flaskô Embalagens
  • Sol Bombonas
  • Trevo Tambores
  • Mercantil Santa Paula: bombonas de azeitona a venda por R$ 50,00. R. da Alfândega, 415 - Brás - São Paulo/SP
  • Lar dos Tambores
  • Comércio de Tambores Picillo - Rua Capitão Pacheco Chaves, 723 - Vila Prudente - SP - fone: (11) 2915-0555 - www.picillo.com.br
  • Kelly Sucatas - Rua Prof. Abraão de Moraes, 2060 - Saúde - SP - fone: (11) 2276-8797
  • Jaspe - Av. Marechal Tito, 6500 - Jd. das Oliveiras - Itaim Paulista - SP - fone: (11) 2963-2552
  • SOL BOMBONAS - Av. morvan dias de figueiredo, 6535 - Pq novo mundo (11) 29550003

Instaladores/Facilitadores

Na tabela abaixo você encontra o contato de empresas e pessoas que podem ensinar a fazer a sua própria cisterna ou serem contratados para instalar.
Nome Telefone Email Facebook Site Profissional Ensina Faz projeto com obras civis Regiões atendidas
Edison Urbano 11-959963941 ediurb@sempresustentavel.com.br http://www.facebook.com/edison.urbano http://www.sempresustentavel.com.br
Sim
Todas
Permacultores Urbanos 11-97034-9030 (Murilo) 11-98228-4474 (Vinicius) permaculturaurbanasp@gmail.com /permacultoresurbanos http://permacultoresurbanos.com Sim Sim Sim A princípio São Paulo (capital), mas estamos abertos a propostas em outras regiões do Brasil (principalmente para cursos de formação de permacultores urbanos)
Aquapônica 11 964176448 claudio@aquaponica.com.br /claudio.alfaro.9 www.aquaponica.com.br Sim Sim Sim SP
Revoluindo - Soluções Socioambientais 11 99850-7732 revoluindo.socioambiental@gmail.com /revoluir
Sim Sim Sim SP
PermaRio 21 996974484 permario.contato@gmail.com /permario7 permario.org



Júlio Pedroni (11) 98318-0558 aguadachuva@yahoo.com.br https://www.facebook.com/aguadachuva
Sim Não Sim Região metropolitana de São Paulo
Leonardo Tannous (11) 979961122 (35) 98216920 construindosustentabilidade@gmail.com https://www.facebook.com/leonardo.tannous www.leotannous.com.br Sim Sim Sim Brasil e América Latina

Referências e reportagens

  • O que é uma Cisterna? Na Wikipédia: Cisterna
  • Como fazer uma minicisterna [3]
  • Lançamento do Movimento Cisterna Já no encontro da Aliança Pela Água [4]
  • Bom dia SP, Alianca pela Agua, e #cisternaja [5]
  • Movimento Cisterna Já na Rádio Brasil Atual [6]
  • Catraca Livre apresenta o Movimento Cisterna Já [7]
  • Cisterna: Você ainda vai ter uma - Sustentável na Prática [8]
  • Cisterna doméstica e comunitária na reportagem da TV Bandeirantes [9]
  • Teresinha e Juvenal da Silva construiram sozinhos sua cisterna. [10]
  • No Vírgula o Edison Urbano explica como fazer [11]
  • Passo-a-passo no UOL: Edison Urbano explica como montar uma minicisterna [12]
  • Reportagem Rede TV (10/12/2014) [13]

Que já tem (galeria de fotos, vídeos e depoimentos)

http://www.sempresustentavel.com.br/galeria.htm
http://www.leotannous.com.br

11.12.14

Carta Aberta da Aliança para a Soberania Alimentar na África (AFSA) contra experimentos de Bananas GM na alimentação humana (em inglês)


Título original: Open Letter from AFSA Opposing Human Feeding Trials with GM Bananas

Alliance for Food Sovereignty in Africa (AFSA) | 12.09.2014
“The Alliance for Food Sovereignty in Africa questions what firm conclusions can be drawn from feeding trials of young people residing in the United States for poor rural farmers and consumers in Africa…”
To:
The Bill and Melinda Gates Foundation
Sue.Desmond-Hellman@gatesfoundation.org
Chris.Elias@gatesfoundation.org
Dr Wendy S White, Iowa State University
wswhite@iastate.edu
Director, Human-Institutional Review Board, Iowa State University
IRB@iastate.edu

Dear Sirs/Madam:
We, the undersigned, representing diverse constituencies from across Africa and the world, working towards food sovereignty, are strongly opposed to the human feeding trials taking place at Iowa State University involving the so-called genetically modified (GM) “super banana” – GM Matooke, Sweet and Roasting bananas.
These trials funded by the Bill and Melinda Gates Foundation are being carried out under the leadership of Dr. Wendy White of the Iowa State University, on 12 young students, with the intention of introducing the GM banana first in Uganda and later, to other countries in East Africa. The GM banana, currently undergoing field trials in Uganda, was developed by scientists at Queensland University of Technology in Australia, similarly also funded by the Gates Foundation.
These trials, funded by the Bill and Melinda Gates Foundation, are being carried out under the leadership of Dr. Wendy White of the Iowa State University, on 12 young students, with the intention of introducing the GM banana in in East Africa.
Despite claims to the contrary from the promoters and developers of GM crops, and to reiterate what nearly three hundred global scientists have stated in an Open Letter in December 2013, there is no consensus that GM crops are safe for human consumption. Most of the research carried out by independent scientists on GM crops directly contradicts the results of biotech industry-sponsored studies that claim no evidence of risk or harm.
This so-called “super banana,” has been genetically modified to contain extra beta-carotene, a nutrient the human body uses to produce vitamin A. Unlike current GM crops in commercial production where agronomic traits have been altered, scientists have spliced genes into the GM banana to produce substances for humans to digest (extra beta carotene). The GM banana is a whole different ballgame, raising serious concerns about the risks to African communities who would be expected to consume it. Production of vitamin A in the body is complex and not fully understood. This raises important questions including inter alia, whether high levels of beta- carotene or vitamin A may carry risks and what the nature of those risks might be.  While a risk assessment is a pre-requisite for GM foods under many national jurisdictions, the need for specific and additional food safety assessment for nutritionally enhanced GM crops such as the GM banana is acknowledged by the Codex Alimentarius Commission, as genetic modifications result in a composition that may be significantly different from their conventional counterparts. 1
We question what firm conclusions can be drawn from feeding trials of young people residing in the United States for poor rural farmers and consumers in Africa, given all the differences in lifestyle and diets between these two populations?
What other foods will these students be eating with the GM bananas, and how will these be eaten? Will the participants in the USA be eating this in the same way? Will it have the same color and same levels of water composition? Would cooking the GM bananas result in a loss of beta-carotene? Will participants be given portions of fats and oils (such as butter) to supplement the banana, as was the case in feeding trials with Golden Rice to facilitate the absorption of beta-carotene? If so, then the GM banana feeding studies may be of little relevance to rural Ugandans and other East Africans who prepare the Matooke variety simply by steaming and mashing.
Great strides have been made in the Philippines, another target country for Vitamin enhanced GM crops, through government programs that supply supplements and improve access to vitamin A rich foods, to overcome Vitamin A deficiencies. This is done without the enormous costs or unknown long- term impacts on health, the environment and farming systems that are entailed by using GM crops. And it is more completely in control of the user society. Africa, the USA, and indeed the rest of the world, do not need GM crops. These crops divert resources away from more locally appropriate and controlled agricultural solutions to nutritional concerns. If indeed the aim of those involved in the promotion of the project is truly to combat Vitamin A deficiency then surely they should be advocating for the consumption of more diverse fruits and foods, such as sweet potatoes that are rich in Vitamin A and that are in abundance in Africa. Ironically, the promotion of a GM food staple high in Vitamin A, risks perpetuating monolithic diets, the very causes of Vitamin A deficiency in the first place.
This letter is in solidarity with farmers and communities in Africa and around the world, which have resisted the genetic modification of their staple foods- from Ghana, Kenya and Zambia- to Mexico, India and the Philippines. We will not stand by idly as attempts are made to systematically genetically modify Africa’s staple foods and in the process gain a massive positive public relations coup by claiming to have conquered health problems at the unnecessary risk to Africans.
Finally, we demand that the full contents of this open letter are shared with the human subjects of these trials in the USA.
Bridget Mugambe
Policy Advocate
Alliance for Food Sovereignty in Africa (AFSA)
P.O. BOX 571
Kampala, Uganda
Email: b_mugambe@yahoo.com
Tel: 256 775 692499
 AFSA logo


Supported by:
African Biodiversity Network  (Kenya)
African Centre for Biosafety  (South Africa)
Africa Europe Faith Justice Network (Belgium)
African Network on the Right to Food (Togo)
Agency for Integrated Rural Development (Uganda)
AgriculturALMissions Inc (USA)
AgriProfocus (Uganda)
AGRA Watch/Community Alliance for Global Justice (USA)
Alliance Against Hunger and Malnutrition (Nigeria)
Alliance for Rural Advancement (South Africa)
Biowatch (South Africa)
Border Rural Committee (South Africa)
Black Farmers and Agriculturalists Association (USA)
Centre for Information Policy in Africa (Uganda)
Center for Indigenous Knowledge and Organizational Development (CIKOD) (Ghana)
Centre for Participatory Research and Development (Uganda)
Centro Internazionale (Italy)
Civil Society Watch Project (Uganda)
?Committee on Vital Environmental Resources (COVER) Nigeria
Community to Community (USA)
Community Development Resource Network (Uganda)
Consumer Education Trust (Uganda)
Commons for Eco Justice (Malawi)
Comparing and Supporting Endogenous Development- Africa
CNCD- 11.11.11 (Belgium)
CICODEV Africa
Earthlife Africa (South Africa)
Environmental Management and Livelihoods Improvement (Uganda)
Entraide et Fraternite (Belgium)
Eastern and Southern Africa Small Scale Farmers Forum (EASAFF-regional network)
FAHAMU (Senegal)
Farmer Support Group (South Africa)
Family Farm Defenders (USA)
Farm Workers Association of Florida (USA)
Fellowship of Christian Councils and Churches in West Africa (West Africa)
Food First/Institute for Food and Development Policy (USA)
Food Sovereignty Ghana (Ghana)
Food Democracy Now! (USA)
Food Matters Zimbabwe
Food and Water Watch (USA)
FOOD Watch (Australia)
Friends of the Earth Africa
FNQ Sustainability Alliance (Australia)
Garden Africa
Gaia Foundation (United Kingdom)
Gene Ethics (Australia)
GRAIN
Greenpeace
GM Free Australia (Australia)
GM-Free Far North Queensland (Australia)
Grassroots International (USA)
Growth Partners Africa (Kenya)
Hawai`i SEED
Health of Mother Earth Foundation (HOMEF) Nigeria
International Development Exchange (USA)
Institute for Culture and Ecology (Kenya)
Institute for Research and Promotion of Alternatives (Mali)
Institute for Sustainable Development (ISD) Ethiopia
Interface Development Interventions (Philippines)
jAbL (Germany)
JA!FOE (Mozambique)
JINUKUN- Coalition to Protect African Genetic Heritage (Benin)
Kenya Biodiversity Coalition (Kenya)
Kenya Food Rights Alliance (Kenya)
Land Loss Prevention Project (USA)
La Via Campesina (Africa)
La Via Campesina (North America)
Legal Resources Centre (South Africa)
MADGE Australia Inc (Australia)
Mantasa (Indonesia)
Melca (Ethiopia)
Mississippi State Association of Cooperatives (USA)
Maryknoll Office for Global Concerns (USA)
National Association for Professional Environmentalists (Uganda)
National Family Farm Coalition (USA)
Natures Friends Institute Demonstration Site (USA)
Ndima Community Service (South Africa)
Nkuzi Development Association (South Africa)
Navdanya (India)
Never Ending Food  (Malawi)
Network of Farmers and Agricultural Producers’ Organisations of West Africa
North East Organic Farming Association of New York (USA)
Oakland Institute (USA)
Pesticide Action Network- North America
Partners for the Land and Agriculture Needs of Traditional Peoples (USA)
PELUM Association (Regional network representing 10 countries in Africa)
Right to Agrarian Reform for Food Sovereignty Campaign (South Africa)
Rural Women’s Assembly (Southern Africa)
Slow Food Youth Network (South Africa)
Society for International Development (Italy/International)
SOS Faim Luxemburg (Germany)
Southern Cape land Committee (South Africa)
Southern and Eastern Africa Trade Information and Negotiations Institute (Uganda)
Sovereign Seeds (Western Australia)
Surplus people project (South Africa)
The Ecologist Magazine
The Indigenous Peoples of Africa Coordinating Committee
The Acequia Institute (USA)
Third World Network
Tanzania Alliance for Biodiversity (Tanzania)
Terra Nova (Italy)
Tropical Sustainable Foundation (Uganda)
Truly Living Well Center for Natural Urban Agriculture (USA)
The Committee on Vital Environment Resources (Nigeria)
The Young Environmental Network (Nigeria)
The Health of Mother Earth Foundation (Nigeria)
Trust for Community Outreach and Education (South Africa)
Transkei Land Service Organisation (South Africa)
Pan-Africanist International (Belgium)
Participatory Ecological Land Use Management (Uganda)
Platforme Regionale des Organisations d’Afrique Centrale
SEARICE (Philippines)
Uganda Coalition for Sustainable Development (Uganda)
US-Africa Network (USA)
US F00d Sovereignty Alliance (USFA)
Vijiji Foundation (Tanzania)
Washington Biotechnology Action Council (USA)
Women on Farms (South Africa)
World Neighbours
Support for Women in Agriculture and Environment (Uganda)
Zambia Alliance for Agro Ecology and Biodiversity Conservation (Zambia)

Individuals
Dr. Vandana Shiva (India)
Joanna Stodden (Seattle, USA)
LanDinh (Philadelphia USA)
Dr Jeanne Koopman (USA)
SheilaKinsey (Rome, Italy)
Sue Kalicinska (United Kingdom)
Sue Edwards
Reverend M Dele (USA)
Dr. Eva Novotny (United Kingdom)
Erik Dalhuijsen (Aberdeen Scotland)
Franz Fischer (Zimbabwe)
Dr. Michael Antoniou (United Kingdom)
Sr. KumudineDassanayake (Holy Family of Bordeaux,  Sri-Lanka)
Dr. Norman Albon (United Kingdom)
Frances Moore Lappé (Food First co-founder)
Prof. Joseph Cummins (Canada)
Dr. Marion Hersh (Scotland)
MelleseDamtieDandi
June WalkerThanthwe (Malawi)
John Wilson (Zimbabwe)
Philip L Bereano, Professor Emeritus
Dr. Devon G. Peña (Food First board member)
H.M Owens
Jeanie Clark (Warracknabeal, Australia)
Joan Gussow Professor Emeritus (Columbia University, USA)
Dr. Eric Holt-Giménez (Food First Executive Director)

Publicado orignalmente em Food First