28.10.09

TEDx São Paulo


O TEDx ("ideas worth spreading") fará pela primeira vez um evento em são paulo, e v. pode participar.
a idéia é juntar pensadores e um público seleto tentando responder "o que o brasil tem a oferecer ao mundo agora?".
onde? teatro anhembi-morumbi
quando? 14 de novembro de 2009
quanto? é grátis
entre no site para mais informações e cadastro para participar no evento e veja os palestrantes aqui.

infelizmente não estarei por aqui nesse dia, mas de qualquer jeito o formulário para cadastrar e correr o risco de formar a platéia do evento é interessantíssimo:

Na sua opinião, o que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?
E você, o que tem a oferecer ao mundo agora?
O que você espera ganhar ao participar do TEDx SP?
O que você tem a contribuir com a comunidade TEDx SP?
Se outra pessoa fosse descrever suas maiores conquistas em até 3 sentenças, o que ela falaria?
O que nós precisamos saber sobre você, que nós não perguntamos? 

filmes, o ambiente e o homem

na última sexta feira, dia 23, teve início a 33ª mostra internacional de cinema, em são paulo.
esta é uma oportunidade anual de se conhecer os novos trabalhos de diversos cineastas do mundo todo, abrangendo tudo quanto é tipo de filme. aqui vou falar de dois documentários bem interessantes a que assisti: "a árvore da música" e "nos enfant nous accuseront"



o primeiro é um filme de otávio juliano, lançado este ano, e trata sobre diversos aspectos do pau-brasil (Caesalpinia echinata). sabiam que a madeira do pau-brasil é considerada a melhor para se fazer arcos de instrumentos orquestrais de corda como violino, cello, baixo e afins? pois é, devido a características como resistência e elasticidade, além da cor maravilhosa, esta é, há séculos, a matéria prima preferida utilizada por archeteiros (é como se chamam as pessoas que confeccionam arcos). porém, com a mata atlântica indo pro beleléu (donde o pau-brasil é endêmico), a árvore também corre grandes riscos de extinção.
é óbvio que o cenário crítico não é culpa dos músicos/archeteiros, mas atualmente esta é a principal atividade econômica associada ao pau-brasil.
o pau-brasil como qualquer brasileiro tem a obrigação de saber, é a planta que batiza nosso país. foi muito cobiçada por causa dos corantes vermelhos que contém. o vermelho, por sua vez, é símbolo de nobreza, o que levou o pau-brasil a ser explorada sem dó (além de que há tempos atrás - e não é preciso ir tão pra trás no tempo - a ordem de progresso era a exploração da terra e não sua compreensão e conservação).
atualmente os principais remanescentes de populações de pau-brasil se encontram em terrenos inapropriados para outros tipos de uso da terra, conseguindo, apenas por isso, se manter.
o doc mostra também, apesar de não enfatizar apropriadamente, que os agroflorestamentos com plantações de cacau é uma boa forma de se conservar espécimes de pau-brasil, com DAP (diâmetro na altura do peito) de mais de 3,5m, o que é um tamanho considerável para esta espécie. o filme também mostra como tem muito mais gringo (principalmente franceses) preocupado com a sobrevivência da espécie que as entidades nacionais.

o doc falha ao não abordar que isto é também reflexo do estilo de vida contemporâneo, e aparentemente acaba ignorando o contexto maior no qual isso tudo se insere, como se fosse uma preocupação apenas de botânicos, músicos, archeteireos e do IBAMA, fazendo o doc ter apenas um carater informativo sobre as pessoas diretamente envolvidas com a planta. apesar disso vale a pena ver o que as pessoas envolvidas com as populações remanescentes de pau brasil têm a dizer.



o segundo filme do qual falarei teve o título traduzido como "nossos filhos vão nos culpar", é um filme francês, de jean-paul jaud, do ano passado.
o doc faz a correlação de como os casos crescentes de diversas doenças nas últimas décadas está diretamente ligado a alimentação, devido às doses cavalares de agrotóxicos que se aplica na agricultura convencional (o qual o filme chama apropriadamente de agricultura química). a inspiração do doc vem de uma ação pioneira do prefeito de barjac, na frança. lá ele substituiu toda alimentação das cantinas de escolas primárias por alimentos orgânicos.
é notável como a distribuição do alimento é organizada, reduzindo enormemente o desperdício: contabilizando-se quantas pessoas (adultas, crianças grandes e crianças pequenas) irão comer e cozinhando o suficiente para elas.
o doc intercala cenas de eventos da unesco, de reunião do prefeito de barjac com agricultores orgânicos e químicos além de outros eventos como o dia-a-dia de escolas e famílias de alunos e depoimentos, principalmente de agricultores.
muito legal, muita inveja de pequenas comunidades que aprenderam a respeitar e agora convivem bem com sistemas produtivos compatíveis as necessidades locais.
muitas coisas pra dizer, mas estragaria os docs. como bom amante de filmes, o desconhecimento é o principal fator para uma boa surpresa.

então fica aí a sugestão para assistirem na mostra:
outros horários para a árvore da vida: 02/11 às 16:00 no cinema da vila e 03/11 às 14:00 no mis (museu da imagem e do som); para o nos enfant nous accuseront: 30/10 às 20:00 ccsp (centro cultural são paulo), 03/11 às 18:00 cine bombril sala1, 04/11 às 17:50 matilha cultural. clique nos linques no começo do post para mais informações.

          

boa mostra!

21.10.09

pela biodiversidade alimentar e cultural

ainda na pegada da questão alimentar...

o cultivo de determinado alimento está intrinscecamente ligado ao conhecimento agrícola de manejo deste produto. porém, atualmente o que vemos por aí é a homogeneização da diversidade local de variedades alimentares. quantos vegetais vêm a mente quando v. pensa em comida? provavelmente te ocorra alguns grãos como milho, trigo, arroz, feijão, umas dez a quinze frutas, mais algumas folhas, castanhas/nozes e só... e bem provavelmente, v. ingira menos de 50 variedades de plantas no seu dia a dia.
por todo o mundo, os produtos menos difundidos culturalmente acabam extinguindo por simples desinteresse comercial e portanto há uma homogeneização na alimentação em detrimento da diversidade cultural e biológica. em países megadiversos como o brasil, este cenário é ainda mais doloroso, pois a porcentagem de cultivares que perdemos é enorme, e isso é resultante de todo o processo tecnológico já discutido no post anterior, associado aos interesses comerciais.
os fitopatógenos que se expressam devido à perda de diversidade e alta densidade demográfica chegam a forçar a migração de cultivos inteiros. a banana maçã, por exemplo, não é cultivada no estado de são paulo pois aqui esta variedade é susceptível a um fungo que "empedra" a parte comestível da banana. essa cultura sofreu um processo de migração e hoje é plantada do espírito santo pra cima.
o mamão também sofreu esse processo, vítima de um vírus causador do mosaico nessa planta. disto surgem até soluções como o emprego formal de mosaiqueiros, que são pessoas especializadas a identificar indivíduos afetados por este patógeno e são autorizados a cortar e queimar para que se evite a propagação da doença.
ambos cultivares são importados de outros estados, um dos motivos pelo qual o alimento está cada vez mais caro em são paulo.

nesse cenário, uma iniciativa que me chama a atenção, seja pelo aspecto biológico como gastronômico-comercial é a da fundação slow food para a biodiversidade (link para o site brasileiro e internacional).

esta é uma organização que
Foi fundada em 1989 como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo.
 dentro desta fundação há o projeto arca do gosto:
Arca do Gosto é um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais. O objetivo é documentar produtos gastronômicos especiais, que estão em risco de desaparecer. Desde o início da iniciativa em 1996, mais de 750 produtos de dezenas de países foram integrados à Arca. Este catálogo constitui um recurso para todos os interessados em recuperar raças autóctones e aprender a verdadeira riqueza de alimentos que a terra oferece.
a iniciativa mantém alguns alimentos (incorporados à cultura brasileira ou nativos) a salvo da extinção.
a arca ainda contém apenas 9 cultivares diferentes na versão tupiniquim, mas se mostra uma iniciativa notável muito boa para a agrobiodiversidade e para nossos estômagos.


arroz do pantanal, o próximo candidato à arca. foto

texto inspirado pelo blógue come-se

17.10.09

comida é pasto

quando pensamos no sistema de produção e distribuição do alimento, raramente vemos pela perspectiva ecológica [como "ecológica" entendo a interrelação das partes vivas com as não-vivas, assim como de cada parte consigo mesma; tudo resultante de uma história evolutiva]. aqui tentarei fazer algumas considerações interessantes sobre o assunto.

pra começar, a alimentação e a reprodução são, ao meu ver, os dois aspectos mais cruciais da vida. com a reprodução elevamos a probabilidade de manter os genes na população mesmo daqui a várias gerações - afetando o conjunto de genes dessa população (pool genético) -, mantendo ou mesmo elevando o que chamamos de fitness. e com a alimentação obtemos energia para nos manter vivos, aumentando a probabilidade de ter um sucesso reprodutivo.

acho que o modo mais claro para entender o sistema atual de produção alimentar é a partir da a evolução do próprio homem, e assim perceber como chegamos ao ponto em que estamos, e mais que isso, perceber o que estamos fazendo e para onde este modo de vida está nos levando.

o gênero Homo e o H. sapiens
pertencemos a espécie Homo sapiens, que ironicamente significa homem sapiente. se analisarmos os nossos ancestrais humanos (Homo ssp), veremos que apesar de sermos os únicos humanos atuais, outros já vagaram pela superfície do planeta.

o gênero Homo, da família Hominidae, surge há cerca de 2,5 milhões de anos, no sul e leste da áfrica. o homem sempre ocupou nichos marginais da savana africana, desenvolvendo adaptações fisiológicas, anatômicas e sociais interessantes. pelos registros fósseis se observam diversas aquisições evolutivas até o surgimento de nossa querida espécie, dentre elas podemos destacar o bipedalismo [acho o termo mais apropriado que bipedia, pois bípede só quer dizer que o bicho fica sobre duas patas, já o bipedalismo dá a idéia da locomoção por meio da alternância das pernas]. esta mudança permite ao homem abandonar o hábito arborícola e utilizar as mãos para fazer movimentos manuais finos. por toda a linhagem humana, verifica-se um gradativo aumento do volume encefálico, isto é, crescente volume do cérebro. este aumento está intimamente ligado com o aumento da capacidade cognitivo-simbólica [que originam fala, escrita, gramática, artes, religião, dentre tantas outras coisas demasiado humanas], ocorrido no paleolítico superior (num período entre 60 mil e 10 mil anos atrás conhecido como período da revolução cultural).


liberdade das mãos para manipulação de ferramentas e armas
dawn of man - cena de 2001: uma odisséia no espaço, de stanley kubrick


a alvorada do homem, apesar de toda essa história evolutiva não tem um cenário muito animador, éramos apenas uma espécie de primatas nômades no meio do semi-árido africano, motivo pelo qual somos generalistas-oportunistas e onívoros, sendo indefesos isoladamente apesar de um poder virtualmente infinito quando em grupo. antes da grande diáspora humana (de saída do continente africano), o homem é quase extinto, se não fosse sua capacidade de representação gráfica para indicar a localização de recursos.

a capacidade de habilidades manuais finas permite o desenvolvimento da tecnologia, principalmente de caça e de guerra. armas são forjadas pela primeira vez a partir de pedras lascadas (na famigerada Idade da Pedra), nos dando uma perspectiva fértil na obtenção de alimento e território. outras habilidades do homem são bem generalistas: não corre muito rápido, não é muito grande, não nada grandes distâncias, não sabe voar, não escala muito, mas é bastante resistente em atividades moderadas de longa duração. a utilização desta habilidade se torna a principal estratégia para caça, permitindo ao homem vencer uma caça pelo cansaço (ao contrário da estratégia de atacar uma presa com o fator surpresa e matar com relativa rapidez, comum em diversos predadores).

a carne de caça tem um significado único, não apenas visceral (biológico), mas a partir do desenvolvimento cognitivo já mencionado, adquire um valor simbólico afetando toda estrutura social e política do homem. o retorno dos caçadores obviamente é comemorado com festa e muita carne, ritual semelhante que ainda ocorre entre humanos. um domínio tecnológico paralelo a tudo isso é o do fogo, que permite a existência da culinária, associando a carne caçada pelos machos com elementos vegetais coletados pelas fêmeas do bando.

revoluções agrícola, industrial e verde
entre dez e cinco mil anos atrás ocorre a revolução agrícola do neolítico em diversos locais independentemente, como meio de controlar os recursos alimentares necessários as sociedades humanas. esta é uma agricultura rudimentar, na qual as espécies escolhidas, tanto de plantas como de animais, são apenas incorporadas na sociedade humana, de forma a se ter fácil acesso ao alimento. desta forma, o homem deixa, pela primeira vez, de ser nômade, fixando-se em rudimentos de cidades, baseados no núcleo familiar. a domesticação de ruminantes é o passo crucial para a consolidação tecnológica que precede a expansão agrícola. a domesticação propriamente dita, ocorre posteriormente, quando os recursos agropastoris passam a sofrer intenso manejo para a produção de alimento e não apenas agregados à sociedade para controle de recursos.

se observarmos por esta perspectiva evolutiva, percebemos mais facilmente que as mudanças ocorridas nos últimos 2 milhões de anos, faz do sistema de obtenção de alimento, um fator decisivo no desenvolvimento populacional da espécie humana.

conforme o tempo passa o homem se torna o animal que conhecemos e, desta forma, podemos traçar um elo do alimento com várias dimensões da existência humana: biológica, econômica (relação de trocas), sócio-política (estratificação e divisão do trabalho e concentração de poder), cultural e também ambiental (através da modificação de paisagens inteiras).

a desestruturação social da perda do núcleo familiar [ouso dizer que a partir do renascimento], faz com que encaremos um dilema evolutivo do que somos com o que nos tornamos culturalmente. mas é somente a partir da revolução industrial que o sistema produtivo adquire novas feições, alterando completamente a estrutura social do homem. a agricultura de comodities passa a ser expressiva, principalmente os alimentos estimulantes como chás, cafés, açúcar e chocolate, servindo como a base alimentar para a dependência químico-tecnológica da sociedade.

a revolução industrial introduziu também a monocultura para produção em larga escala de alimento para suprimir as necessidades alimentares das populações industriais, cada vez mais crescentes e pela primeira vez as paisagens se tornam domesticadas. o grande impacto de monoculturas, assim como de qualquer homogeneização da biodiversidade, é que, dentre outras coisas, os seres que constituem o sistema passam a ser mais susceptíveis a doenças, pelo fato de haver uma condição demográfica que favorece a livre circulação de patógenos, tornando-os mais nocivos do que num sistema com maior diversidade. isso podemos ver não apenas na agricultura, como também em cidades, nos quais os indivíduos de uma população ficam muito mais próximos, gerando também uma infinidade de fatores estressantes. os fatores estressantes nos grandes centros urbanos são causas de violência e doenças crônicas, afetando enormemente a qualidade de vida dos indivíduos que o constituem.


substâncias químicas eram ameaças constantes na segunda guerra.
porteriormente se tornou ameaça constante na alimentação. foto

a resposta para diversas patologias, na produção de alimentos, veio com a Revolução Verde. esta revolução ocorre no período pós-guerra, com diversos avanços nos estudos de substâncias químicas ocorridas durante a guerra provenientes de pesquisas que foram feitas principalmente com o fim de se produzir armas químicas. essas substâncias são o que conhecemos atualmente como agrotóxicos, e estão sendo progressivamente evitados pelas pessoas conforme se conhece os efeitos nocivos tanto de toxicidade humana (carcinogenia, doenças neurodegenerativas) como de ecotoxicidade (que em última análise causam a toxicidade humana).

o último salto tecnológico que percebo nessa linhagem é o surgimento de transgênicos da engenharia genética por meio do DNA recombinante. porém ao contrário dos passos anteriores, este não visa primariamente o aumento da produtividade para a segurança alimentar, mas para fins nitidamente mercadológicos a produção de plantas resistentes a patógenos e pragas.  esta tecnologia é uma faca de dois gumes e atualmente há diversas plantas modificadas geneticamente que ajudam o produtor a ter maior produtividade, ao passo que há empresas detentoras de patentes de organismos geneticamente modificados (OGMs) que praticamente escravizam os pequenos produtores, juntamente a isso, a segurança biológica é questionável, tanto para a saúde humana como para o meio ambiente.

o discurso da segurança alimentar é uma grande farsa em países não miseráveis, o brasil é um exemplo crasso e assim como uma das piores distribuições de renda do planeta, a distribuição de recursos alimentares também é bem tosca. boa parte da produção de alimento é perdido na colheita, estocagem, transporte, doenças/'pragas' e outros processos que existem entre o produtor e o consumidor final.

outros problemas ecológicos existem para a segurança alimentar, necessitando manejo cada vez mais intenso e minucioso. é necessário se preocupar com os lençóis freáticos, cada vez mais contaminados com fertilizantes, biocidas e tantos outros químicos ainda usados amplamente em países em desenvolvimento; além disso, o manejo adequado do solo e de serviços ecossistêmicos como a qualidade do ar, da água e da vegetação são cruciais para que se mantenha o mínimo de qualidade de vida do homem.

algumas opções atuais me parecem bem plausíveis na produção de alimento para o homem, indo da permacultura à agricultura de precisão, passando pelo agroflorestamento.
a permacultura é uma idéia bem natureba, mantém a diversidade local sendo uma ótima opção para pequenas produções, produzindo e distribuindo localmente recursos de forma pouco impactante aproveitando as condições ambientais que um determinado local oferece. com custo baixo, e disponibilidade de recursos para subsistência.
a agricultura de precisão, é o extremo oposto, com monoculturas extremamente mecanizadas, com a aplicação de tecnologia de ponta (i.e. de alto custo) como colheitadeiras munidos de gps e outros quitutes que permitem aproveitar ao máximo a produtividade de um determinado local, considerando todos os recursos e manejando-os de forma a não estragar o solo, fertilidade, água, etc.
já o agroflorestamento eu desconheço o quanto é aplicado. a idéia básica dele é intercalar linhas de cultivo com árvores, associando os benefícios que os dois tipos de cultura podem proporcionar.

o paradoxo que surge é que a demanda por alimento é óbviamente grande, mas a produção é ainda maior e mesmo assim muita gente passa fome. grandes extensões de terra para o plantio de commodities além da perda da diversidade cultural e biológica parecem estar nos guiando a um beco sem saída. nesse cenário de miséria geral e tecnologia e conhecimento para se dizimar tantas desigualdades a pergunta talvez seja: até quando o homem vai patrocinar a fome do outro? a ausência desse questionamento por parte de quem só ganha nesse jogo é simplesmente desanimador.


comida é um luxo, foto

para onde este sistema de produção está nos levando ainda não está muito claro, mas não precisa ser um gênio para perceber que a humanidade como um todo não anda muito bem das pernas, mas as consequências disso (não apenas ambientais, mas socio-político-economica) começam a se revelar aos poucos. a ocupação do homem no uso da terra é crítico para a manutenção da qualidade de vida, mas é necessário muito mais planejamento e administração por parte dos governos, e maior crítica e exigência por parte das pessoas com algum acesso às informações. esta provavelmente seja a maior contribuição que podemos fazer como cidadãos.

este texto é resultado da reflexão suscitada por aulas de botânica econômica, de biologia evolutiva do homem e de antropologia.

14.10.09

grow to go

um incentivo à agricultura orgânica de subsistência

sou um simpatizante da agricultura orgânica de subsistência.
não por ser mais correto ou qualquer bla-bla-bla utilizado no marketing verde atual.
a verdade é que a qualidade do alimento é bem diferente.
sempre gostei de pegar frutas no sítio da minha vó, comer alimentos frescos e coisas do tipo.
e gosto também de usar os temperos que planto no quintal, apesar de estar seriamente em falta com as cebolinhas e os manjericões, mas isso é outra história.

me empolgo com algumas idéias que vejo, principalmente nos blógues de design, de incentivar as pessoas para que plantem algumas coisas que consomem na própria casa, mesmo que apenas parcialmente. gosto de achar que é um pouco da volta de valores domésticos/familiares do qual fomos progressivamente afastados nos últimos séculos (a partir do renascimento, e que está acelerando continuamente desde a Revolução Industrial).
é um pouco da sensatez ao repensar os hábitos a partir das informações a que temos acesso.

o estudio austríaco de design bradedescalope pegou diversos conceitos de fast food e contruiu um tipo de loja de conveniencia em que v. compra semente de plantas, no vienna design week '09. dentre outras coisas, transformaram as embalagens em substratos prontos para o plantio de diversos tipos de alimentos. a embalagem que lembra as embalagens de hamburguer feitas de isopor são na verdade feitos de arroz e é degradado servindo também como adubo.

então é assim: v. entra numa loja com parência de fast food, sai com pacotes que remetem a fast food mas na verdade é tudo fachada pra v. levar pra casa material pra cultivo (semente+substrato) de coisas que v. poderá colher e comer... tudo prontinho, como um fast food, mas sem ser.

a idéia é ótima, e já que as pessoas não tomam vergonha na cara pra comprar pacotinhos de sementes a menos de R$0,50 em qualquer loja que venda plantas além de alguns quilos de terra por uns cinco reais, acho que isso é uma iniciativa válida.
afinal, se o marketing ensina algo é que podemos manipular o comportamento alheio a fim de vender algum produto, dando uma roupagem atrativa a ele.
apesar disso, acho que uma idéia desse tipo não cole no Brasil, pelo menos não tão cedo... sendo otimista, quem sabe daqui a algumas décadas. (quando os gringos já estiverem avançando sobre outras idéias)

e viva as facilidades modernas!

via design boom

12.10.09

transporte eletrizante

são paulo é uma cidade que valoriza o transporte individual.
toda administração urbana é voltada para isso: carros cada vez mais baratos, transporte público cada vez mais caro e precário ou insuficiente para as necessidades coletivas. junto a isso podemos ver investimentos monstruosos para expansão de vias rápidas de trânsito e uma marginalização eterna de alternativas como as bicicletas.
ainda bem que ainda existe alguma diversidade no mundo, e há pessoas desenvolvendo [com diversas motivações] tecnologias interessantíssimas mundo afora.

p.u.m.a.
uma das soluções interessantes que estão em fase de protótipo é o p.u.m.a. project (projeto de mobilidade urbana pessoal e acessibilidade, em inglês). redesenhada por michael ditullo e desenvolvido pela segway e pela gm, com direito a apresentação na feira de auto de new york. o veículo atinge 35 mph, o que equivale a pouco mais de 55 km/h, o que está de grande tamanho para se locomover na cidade, que geralmente tem limites de velocidade de 60 km/h.

puma, veículo elétrico para dois.

o veículo é elétrico e consegue andar 35 milhas (~56 km) por carga.
ainda sem preço, mas com estimativas de 1/4 do preço de um automóvel normal, podendo levar, além do motorista, um passageiro. perfeito para se locomover dentro de uma cidade.

zero emission
a nissan por outro lado lança a zero emission na feira de automóveis de tokyo. também é elétrica e apresenta um conceito bem diferente no design, com inspiração nas motos de alta performance (não que sejam tão velozes, afinal são elétricas)



entendo que o grande problema dos veículos elétricos são a infraestrutura para recarga, já que seria necessário instalar postos para recarga por todos os lugares em que este tipo de veículo seja utilizado. num país como o brasil, este prospecto nem é sonhado.
acho que um dos poucos lugares do mundo em que este tipo de preocupação seja real é no japão.
o japão, além de ser a segunda economia do mundo (graças a industria automobilística), é um país geograficamente pequeno e supertecnológico, oferecendo um ambiente ideal para que este tipo de tecnologia se desenvolva e se torne acessível.
enquanto isso não acontece, eu fico só babando nas idéias que essas pessoas estão desenvolvendo.

via design boom!
leia mais sobre o p.u.m.a. aqui e aqui
e sobre o zero emission aqui e aqui
ps: pra variar, meus posts com tags de greentech são via blógues de design.

30.9.09

hélice vertical para energia eólica

aquelas "ventoinhas" tradicionais para captação de energia eólica pode, em breve, se tornar tecnologia do passado.
o desenvolvimento de hélices verticais permite o melhor aproveitamento do vento, de todas as direções e não apenas de apenas uma direção como os tradicionais ventiladores gigantes.

a energia eólica tem sido alternativa viável para locais remotos obterem autonomia energética sem o elevado custo da implantação de rede elétrica necessária pelas tecnologias tradicionais. além disso é uma alternativa ambientalmente menos nociva para obtenção de energia limpa e renovável.

desenvolvida pela helix wind corporation, esta tecnologia foi elaborada para antenas das empresas de telecomunicações, que ficam em locais remotos e acabam custando bastante dinheiro para a alimentação de energia para o funcionamento desses aparatos.


o design deste novo tipo de hélice parece menos perigoso para a avifauna também. (apesar de existir todo bafafá em cima da tecnologia eólica quanto a morte de aves, as hélices convencionais de captação de vento são ecologicamente menos impactante que as formas de geração e transmissão de energia mais comuns.)

grous sobrevoando campo de moinhos de vento "tradicionais". foto