8.4.16

o corpo é pouco


índigenas são mortos.sem-terra são mortos.17 de abril faz 20 anos de eldorado dos carajás.dia mundial da luta campesina.e o corpo ainda é pouco.
Publicado por Glenn Makuta em Sexta, 8 de abril de 2016

4.4.16

Cosmovisão e regulação de recursos naturais

A cosmovisão é o fator de regulação do uso de recursos. e nossa cosmovisão míope enxerga recursos infinitos e melhorados por tecnologias.

Como diz David Attenborough: "Qualquer um que acredite no crescimento indefinido num planeta fisicamente finito ou é louco ou um economista"

Para os povos indígenas, a terra e, de modo geral, a natureza têm uma qualidade SAGRADA que é quase inexistente no pensamento ocidental. A terra é reverenciada e respeitada, e sua inalienabilidade se reflete em praticamente todas as cosmovisões indígenas. Os povos indígenas não veem a terra meramente como um recurso econômico. De acordo com suas cosmovisões, a natureza é a principal fonte de vida que alimenta, sustenta e ensina. A natureza é, portanto, não só uma fonte produtiva, mas o próprio centro do universo, o núcleo da cultura e a origem da identidade étnica.
No coração desse vínculo tão forte está a percepção de que todas as coisas vivas e não vivas e os mundos social e natural estão intrinsecamente ligados (princípio da reciprocidade). De particular interesse é a pesquisa feita por diversos autores sobre o papel exercido pela cosmologia de vários grupos indígenas como um mecanismo regulador do uso e do manejo dos recursos naturais.
Na cosmovisão indígena, cada ato de apropriação da natureza tem que ser negociado com todas as coisas existentes (vivas e não vivas) por meio de diferentes mecanismos, tais como rituais agrícolas e diversos atos xamânicos (trocas simbólicas). (...)
Paralelamente, as sociedades indígenas detêm um repertório de conhecimento ecológico que geralmente é local, coletivo, diacrônico e holístico. De fato como elas possuem uma longa história de utilização dos recursos, criaram sistemas cognitivos sobre os próprios recursos naturais de seu entorno, que são transmitidos de geração para geração por isso que o corpus é geralmente um conhecimento não escrito. A memória é, portanto, o recurso intelectual mais importante entre as culturas indígenas ou tradicionais.
(...)
O conhecimento indígena não se restringe aos aspectos estruturais da natureza ou a objetos ou componentes e sua classificação (etnotaxonomias), mas abrange também dimensões dinâmicas (de padrões e processos), relacionais (ligadas às relações entre os elementos ou eventos naturais) e utilitárias dos recursos naturais.
Trecho de 'A memória biocultura' de Toledo e Barrera-Bassols

Terra em Transformação - Agronegócio ou Agroecologia

PL 3200 é mais veneno na sua mesa

Que tal
- Tirar o que tem de bom e protetivo na atual lei de agrotóxicos (equipamento de proteção individual - EPI; fiscalização; inspeção; intervalo de segurança ou período de carência em relação à cultura subsequente, etc);
- Alterar o termo agrotóxico para "defensivo fitossanitário e de controle ambiental";
- Criar a CTNFito, centralizando a regulamentação no MAPA, tirando a função que hoje é compartilha com IBAMA e ANVISA; regulamentar uso de inseticidas de forma preventiva;
- E só banir agrotóxico quando ele apresenta risco INACEITÁVEL (pra quem?)

Só atrocidade nesse PL.
Agora v sabe porque Álvaro Dias arquivou o PL680

Leia mais no blógue do MST: PL 3200 é mais veneno na sua mesa

Megafusões agrícolas e ameaças à soberania alimentar.

Há no horizonte uma ameaça transnacional no setor de sementes e agroquímicos. Uma ameaça à soberania alimentar.

Atualmente existe um oligopólio de seis empresas que dominam este mercado. As 'Big Ag6', como são conhecidas, são: DuPont-Pioneer, Dow, BASF, Bayer, Syngenta e Monsanto.
Todas elas tiveram um crescimento vertiginoso desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando conseguiram desenvolver grande parte do arsenal químico e que posteriormente teve uso continuado e promovido pela Revolução Verde.

Desde o fim do ano passado duas mega-fusões têm sinalizado que em breve esse mercado estará ainda mais concentrado. Em dezembro a Dow e DuPont anunciaram essa intenção e no começo deste ano a estatal chinesa ChemChina anunciou que irá comprar a Syngenta, jogando a Monsanto (que estava interessada na empresa suíça) pro escanteio.

Agora, para sobreviver a esse mundo agressivamente competitivo, a Monsanto provavelmente irá comprar a Bayer ou a BASF para continuar nesse mercado.



O que são 6 grandes empresas tendem a se tornar 3 empresas gigantescas que, conforme concentram ainda mais o mercado, tendem a se tornar uma ameaça ainda maior à soberania alimentar dos povos.
E isso sem contar outras gigantes do setor agrícola como a Deere & Co., maior empresa do setor de maquinários, que sozinha tem volume de vendas quase equivalente ao dessas 6 empresas somadas. E que num futuro hipotético podem ainda comprar essas gigantescas do setor de sementes e agroquímicos.
O texto conclui da seguinte forma:
Por interesse ou por instinto de autoconservação dos governos nacionais e pela luta de muitos pela soberania alimentar, estas megafusões estão longe de poder se concretizar. Nos próximos meses, as manifestações políticas e populares, assim como os debates nos meios de comunicação nacionais e com os legisladores de cada país, poderiam atingir nos gigantes genéticos um golpe que impeça essas fusões. O fundo da luta não é evitar as fusões, mas principalmente avançar no caminho a acabar com o complexo industrial químico/sementeiro. A maior integração da indústria fará com que a luta por soberania alimentar fique muito mais difícil.

Leia o texto da ECT: Monsanto, voracidad infinita - Megafusiones y amenazas a la soberanía alimentaria

9.3.16

a memória biocultural

A despeito do que os autores dizem acerca das capacidades biológicas humana, uma coisa é certa: a capacidade de ter uma memória social.
Isso graças ao nível de capacidade de comunicação simbólica (e não à capacidade em si) e ao acúmulo de informação, principalmente pela oralidade e escrita.

Se o Homo sapiens conseguiu permanecer, colonizando e expandindo a sua presença na Terra, é porque foi capaz de reconhecer e aproveitar os elementos e processos do mundo natural, um universo que encerra uma característica essencial: a diversidade. Essa habilidade se deve à manutenção de uma memória, individual e coletiva, que conseguiu se estender pelas diferentes configurações societárias que formaram a espécie humana. Esse traço evolutivamente vantajoso da espécie humana tem sido limitado, ignorado, esquecido ou tacitamente negado com o advento da modernidade, que constitutiu uma era cada vez mais orientada pela vida instantânea e pela perda da capacidade de recordar.

Identificada pela velocidade vertiginosa das mudanças técnicas, cognitivas, informáticas, sociais e culturais que impulsionam umas racionalidade econômica baseada na acumulação, centralização e concentração de riquezas, a era moderna (consumista, industrial e tecnocrática) tornou-se uma época prisioneira do presente, dominada pela amnésica, pela incapacidade de se lembrar tanto dos processos históricos imediatos quanto daqueles de médio e longo prazo.

Essa deficiência está relacionada a uma ilusão alimentada por uma espécie de ideologia do progresso, do desenvolvimento e da mercantilização que não tolera nenhuma forma pré-moderna (e, em sentido estrito, pré-industrial), que é automaticamente qualificada como arcaica, obsoleta, primitiva e inútil. Essa avaliação ideológica, que faz da modernidade um universo autocontido, autojustificado e autodependente, volta-se contra sua própria existência ao suprimir sua capacidade de reconhecer o passado, isto é , ao abrir mão de uma consciência de espécie que é ao mesmo tempo uma consciência histórica baseada em características que vai além do fenômeno humano e alcança todas as dimensões da realidade do planeta: a diversidade.
 trecho de 'A Memória Biocultural', de Víctor M. Toledo e Narciso Barrera-Bassols.